O Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado oficialmente pelo governo no último dia 8, é um Frankenstein de medidas paliativas, resquícios do que foram os primeiros diagnósticos elaborados em 2003, e algumas boas idéias que padecem de previsão orçamentária nebulosa e falta de metas e cronogramas.
A geógrafa e historiadora Bertha Becker, uma das maiores especialistas do mundo em Amazônia, reclamou em entrevista ao site Amazonia.org.br: “O PAS era muito inovador, ele reconhecia a necessidade de produzir sem destruir a natureza com o uso de novas tecnologias e considerando a diversidade regional da Amazônia".
Ela se refere aos primeiros estudos dos quais participou e que indicavam que a região, assim como restante do Brasil, é cheia de contrastes. A divisão propostas por ela, em três macro-regiões e onze sub-regiões deveria servir de norteador para políticas específicas, mas tudo isso foi cortado.
Em editorial no último dia 9, o jornal O Estado de S. Paulo chamou o PAS de “pacotinho”, por se tratar de uma re-edição de medidas já em curso com um verniz de novidade. O Greenpeace elogiou algumas ações como a criação de uma linha de crédito especial para o reflorestamento e manejo florestal, mas ressaltou que “não houve nenhum esclarecimento sobre a origem, as aplicações ou os prazos para o investimento desse recurso”. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Beto Veríssimo, avaliou que o “o PAS está na direção certa e quase todas as medidas são positivas, mas ainda é iniciativa tímida perto do desafio da Amazônia".
O resumo da ópera é isso mesmo. O que se apresentou foi um conjunto de medidas emergenciais (como a que fortalece a fiscalização nos 36 municípios que mais desmatam), mas é muito, muito aquém do que imaginava para o PAS há cinco anos atrás. A ambição de diagnosticar o potencial de desenvolvimento e as necessidades da população local em cada canto da Amazônia, bem como uma estratégia de fomento, murchou. E o sonho de planejar a Amazônia como Brasil e não como “neo-colônia” vai ficando para trás.