Eco Balaio
21/04/2008 ÀS 01:45
Timtim por timtim

Não à toa, a decisão do CONAR (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) de suspender duas campanhas da Petrobras vem sendo considerada histórica por muitos analistas. As peças publicitárias que destacavam a responsabilidade socioambiental “em tudo que a Petrobras faz” foram contestadas em representação por diversas ONGs, além das secretarias meio ambiente do município e do estado de São Paulo.

O que se fez foi apresentar um telhado de vidro: a Petrobras ainda não se adequou a uma resolução do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) que estabelece a redução do limite máximo de enxofre misturado ao óleo diesel.

O mesmo enxofre causador da má qualidade do ar que, segundo comentário de André Trigueiro, na CBN, já contabiliza 3 mil óbitos por ano em São Paulo. Isso posto, não seria “em tudo que a Petrobras faz” que se constatariam as melhores práticas socioambientais.

Pela primeira vez, a corrida pelo ouro da propaganda verde está enfrentando algum freio. A expectativa geral é que esse precedente seja capaz de impor mais cautela e transparência a todas as empresas, marcas e produtos que vêm sendo vinculados à responsabilidade ambiental. Que bálsamo seria se conseguíssemos evitar a banalização do conceito de sustentabilidade que, tomada de maneira cada vez mais genérica, virou um guarda-chuva onde se abrigam iniciativas louváveis, mas também toda sorte de esperteza.

Propagandas abusivas não lesam apenas o direito de informação do consumidor, mas todo esse esforço de educação que está sendo empreendido por diversos atores para reinventar comportamentos. Essa enxurrada de “ecológicos” e “sustentáveis” não é apenas desinformação, é “deseducação”.




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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