Para quem quer usar o poder de suas escolhas de consumo, mas fica perdido nessa miríade de mensagens e garantias, acho que posso dar uma ajudinha.
Recentemente, escrevi uma reportagem sobre a certificação para a Revista Página 22, onde trabalho. Diferentemente das práticas publicitárias tradicionais, os chamados selos verdes procuram atribuir a produtos e empresas méritos socioambientais verificáveis na prática. É um atestado de qualidade verde!
Eles estão em toda parte: nos supermercados (já repararam no selo Garantia de Origem em alguns produtos da rede Carrefour?), nas embalagens (o símbolo universal da reciclagem é um exemplo clássico), nos eventos (o selo Carbon Free já virou moda) etc. A grande sacada é saber diferenciar os selos auto-declaratórios dos certificados de terceira parte.
Explico: o primeiro tipo são aqueles que as próprias empresas se atribuem, sem a fiscalização de um agente exterior que garanta a veracidade das informações. O selo de reciclados/recicláveis é um exemplo. O Garantia de Origem, que impõem uma série de requisitos ambientais e trabalhistas aos fornecedores, é outro. Não se trata, aqui, de dizer que alguém é mais ou menos suspeito. Apenas que esse grupo tem um sistema de verificação menos completo.
Já os certificados de terceira parte impõem um esquema mais sofisticado. Uma entidade elabora as normas, credencia e fiscalizadas outras entidades que por sua vez vão conceder o selo às empresas interessadas. A divisão das responsabilidades e do controle em três níveis de ação torna a coisa mais transparente, e costuma se aplicar aos selos de maior prestígio no mercado. É o caso do FSC (Forest Stwardship Council), o mais importante selo para produtos florestais do mundo. Quer outro exemplo? O selo Procel, que indica produtos eletrônicos com menor gasto de energia, segue as normas do Programa Nacional de Conservação de Energia elétrica e é distribuído e fiscalizado pelo Inmetro.
O mais importante é saber que cada selo traz uma mensagem, que não necessariamente é o que você procura. Eu fico especialmente irritada com mensagens do tipo “amigo do meio ambiente” ou “ecologicamente correto”. Que diabo isso significa? Sustentabilidade ambiental é um conceito em construção, complexo e multifacetado. Não pode ser confundido com qualquer coisa genérica. Bons programas de certificação costumam ter normas de domínio público, portanto uma rápida busca na internet permite que você saiba exatamente o que o selo de sua escolha está tentando comunicar.
A certificação é uma ferramenta muito bacana para transformar o comportamento de consumidores e empresas. É bom que seja compreendida e usada cada vez mais. Mas não vamos esquecer que o supra-sumo da sustentabilidade continua sendo e sempre será, simplesmente, consumir menos.
Ps: Aqui um post anterior meu sobre essa questão das propagandas.
A Giuliana Capello, do blog Gaiatos e Gaiano, também já postou algumas dicas bem legais sobre consumo. Veja aqui.