“Não adianta querermos educar a sociedade para que mude a postura perante a cidade se estamos sujando a mesma cidade para convencê-la” – disse Gabeira. Isso me fez lembrar que outro pré-candidato, o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também assumiu um compromisso semelhante. Pai da lei “Cidade Limpa”, que pôs fim ao reino dos outdoors, faixas e cartazes em São Paulo, Kassab não poderia bancar as práticas tradicionais da panfletagem eleitoral e já adiantou que vai fazer uma campanha tão limpa quanto possível.
Parece que está se configurando aí uma grande oportunidade de combater comportamentos incompatíveis com a cidadania, justamente durante as campanhas eleitorais, quando teoricamente esses valores deveriam estar em alta.
Por outro lado, será que é fácil assim prescindir desses clássicos de campanha, como os santinhos, os panfletos e toda sorte de quinquilharias que carregam os nomes dos candidatos? Isso não prejudicaria a divulgação? Qual seria a alternativa? Será que esses candidatos são capazes de arquitetar estratégias mais interessantes e inovadoras que simplesmente usa papel reciclado?
Vale a pena ficar de olho para ver se a moda pega. E mais importante: como pega. Propagandas furadas com a mensagem de sustentabilidade estão em toda parte e não seria de se espantar que isso se reproduzisse nas campanhas.
*Leia aqui a entrevista de Fernando Gabeira ao blog de Pedro Doria.
PS: No post da semana passada, fiquei devendo uma análise melhor sobre as novas regras para os bancos financiarem grandes produtores rurais na Amazônia. Acho que a grande imprensa marcou bobeira em não repercutir a notícia com ONGs e cientistas, já que esse pode ser um dos grandes acontecimentos dos últimos tempos para frear o desmatamento e fazer valer o braço da lei na região.
Fiquei feliz em saber que o portal O Eco publicou uma reportagem mais completa, dos repórteres Aldem Bourscheit e Manoel Francisco Brito. Recomendo a leitura!