Eco Balaio
25/02/2008 ÀS 11:50
Quanto mais escuro, melhor


Pausa nos assuntos florestais para matar uma curiosidade. Em janeiro do ano passado, o blogueiro americano Mark Ontkush estimou que se a página do Google tivesse um fundo preto, poderiam ser economizados 750 Megawatts por hora em todo o mundo.Isso porque, segundo a Energy Star, uma entidade que normaliza e certifica o consumo de energia de aparelhos eletrônicos, o branco ou as cores mais claras podem demandar até 20% mais energia de um monitor que o preto, ou as cores escuras. O Google, que opera cerca de 200 milhões de acessos por dia, seria então o piloto perfeito.

Nesse período de um ano, a questão foi muito debatida em blogs na internet e nada na imprensa (até onde eu consegui checar). É estranho, porque a economia energética prometida é muito significativa e essa história já deveria ter caído na curiosidade de algum repórter. Se a premissa estiver correta, em um ano, a página preta do Google economizaria no mundo todo o correspondente a 6.570 gigawatts.

É mais de mil vezes a potências instalada do Complexo hidrelétrico do rio Madeira. Bota energia nisso!

Mas existe também a possibilidade de a hipótese estar furada, o que explicaria também o desinteresse da imprensa. Alguns comentários em blogs que pesquisei alegavam que em monitores LCD, o gasto de energia para as cores diferentes é praticamente o mesmo. Se a tendência é sempre substituir tecnologia velha por nova, em pouco tempo a estratégia já não seria mais eficiente.

Mesmo assim, a empresa Australiana Heap Media resolveu investir na idéia e lançou o Blackle, site de busca que usa o mesmo sistema do Google e claro, um fundo preto. Já há uma versão em português do buscador. Na versão em inglês, além da função de busca com o Google, o internauta também pode pesquisar em uma seleção especial de 446 páginas de produtos e serviços “verdes” na internet.

Alguém aí sabe se essa história vingou ou não? Alguém experimentou o Blackle para pôr à prova a teoria de que texto claro sobre fundo escuro cansa a vista?

Eis o blog Ecorion, que deu início à discussão
E uma notinha recente do New York Post sobre o assunto




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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