Vale a pena ler a nota publicada pela Veja online sobre as recentes medidas aprovadas pelo governo nos 36 municípios que mais desmatam na Amazônia. O portal entrevistou o chefe do Ibama em Alta Floresta (MT), Cláudio Cazal, que classificou de autismo o plano do governo. "De que adianta bloquear autorizações de desmate em uma região em que a maior parte das derrubadas são feitas sem autorização?”, questionou.
Eu ainda acho que adianta, sim. Se os desmates regulares estão proibidos, por exclusão, qualquer derrubada avistada é ilegal, o que deveria facilitar o trabalho do Ibama. Além disso, um embargo como esse manda uma mensagem que visa criar insegurança nos bandidos do desmatamento. Mas tenho que dar crédito ao Cazal, que certamente entende mais dessas coisas do que eu.
O que eu achei mais importante, na verdade, é o alerta dado por ele: “O que não temos é estrutura para retornar às áreas para verificar se o embargo está sendo cumprido". Aí não resta o que discutir. Todas as vezes que entrevistei funcionários do Ibama, e não foram poucas, a reclamação é a mesma: faltam viaturas, equipamentos, pessoal etc etc etc.
Sem fiscalização não há lei que se faça cumprir. E a reclamação do chefe do instituto em Alta Floresta demonstra que faltou aí um ponto importante nesse plano emergencial: turbinar o Ibama desses 36 municípios. Claro que esse tipo de coisa precisa ter previsão orçamentária, e eu também não sou especialista em administração pública para apontar um mecanismo de liberação de verbas, mas, afinal, estamos falando de uma emergência não é mesmo? Aposto que o brilhante corpo técnico do Ministério do Meio Ambiente saberia apontar um caminho.
Veja a nota da Veja online aqui
E o post anterior, com a contextualização dessa história toda, aqui