Isso tudo é resultado de uma nova política de governo chamada “política de crédito verde” e promete expandir ainda mais a lista negra de empresas que ficarão num beco sem saída no mundo dos financiamentos.
Há muito tempo, os movimentos sociais organizados perceberam a importância das instituições financeiras para condicionar o comportamento do restante da sociedade e passaram a cobrar a devida compostura. No Brasil, isso também acontece. Em primeiro lugar, porque o dinheiro dos bancos está por trás de todas as dores de cabeça socioambientais: desalojamento de pessoas, contaminação de solos e rios, mineração e erosão... A lista é extensa.
Em segundo lugar, porque há riscos financeiros que os próprios bancos procuram evitar. Dar crédito a um projeto não sustentável pode trazer prejuízos à imagem da instituição, render a co-responsabilidade dos bancos em eventuais processos judiciais e, com o aumento de custos para compensar o passivo ambiental, o calote fica sempre à espreita.
Até aí, o Brasil também está seguindo essa lógica. Aliás, o IFC (Corporação Financeira Internacional, na sigla em inglês) divulgou um levantamento no começo do ano declarando bancos brasileiros como líderes mundiais em sustentabilidade.
O que me parece que falta aqui, ao contrário da China, é a noção de que governos são também importantíssimos agentes, ao mesmo tempo financiadores e consumidores. Apertar o cerco sobre o que o governo compra e que tipo de ações financia pode transformar a realidade de uma maneira que “conscientização” nenhuma pode.
Claro que é mais fácil colocar empresas numa lista suja e enquadrar bancos onde não há democracia. Sem contestação, as decisões de governo são mais ágeis. Mas não acho que isso seja desculpa para o Brasil. Vou citar apenas um exemplo: No PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a suspensão da cobrança de PIS e Cofins na compra de insumos e serviços utilizados pela construção civil serve pra todo mundo, sem discriminação. Imaginem que maravilha seria se esse e outros benefícios fossem condicionados ao respeito a determinados critérios socioambientais! Mas aí já não seria o PAC... Seria algo como PRC (Plano de Racionalização do Crescimento). Sonhar não custa nada!
Via Negócios Sustentáveis
Para saber mais: China Radio International