Eco Balaio
03/12/2007 ÀS 14:31
Negócios da China

É irônico que a mega-poluída China tenha alguma coisa a ensinar ao “Brasil potência ambiental”. Mas parece que tem. Numa ação recente articulada pelo Banco Central e pela Agência Nacional de Meio Ambiente chineses, doze das empresas mais poluidoras daquele país tiveram seus créditos rejeitados, suspensos, ou receberam exigências de pagamento antecipado.

Isso tudo é resultado de uma nova política de governo chamada “política de crédito verde” e promete expandir ainda mais a lista negra de empresas que ficarão num beco sem saída no mundo dos financiamentos.

Há muito tempo, os movimentos sociais organizados perceberam a importância das instituições financeiras para condicionar o comportamento do restante da sociedade e passaram a cobrar a devida compostura. No Brasil, isso também acontece. Em primeiro lugar, porque o dinheiro dos bancos está por trás de todas as dores de cabeça socioambientais: desalojamento de pessoas, contaminação de solos e rios, mineração e erosão... A lista é extensa.

Em segundo lugar, porque há riscos financeiros que os próprios bancos procuram evitar. Dar crédito a um projeto não sustentável pode trazer prejuízos à imagem da instituição, render a co-responsabilidade dos bancos em eventuais processos judiciais e, com o aumento de custos para compensar o passivo ambiental, o calote fica sempre à espreita.

Até aí, o Brasil também está seguindo essa lógica. Aliás, o IFC (Corporação Financeira Internacional, na sigla em inglês) divulgou um levantamento no começo do ano declarando bancos brasileiros como líderes mundiais em sustentabilidade.

O que me parece que falta aqui, ao contrário da China, é a noção de que governos são também importantíssimos agentes, ao mesmo tempo financiadores e consumidores. Apertar o cerco sobre o que o governo compra e que tipo de ações financia pode transformar a realidade de uma maneira que “conscientização” nenhuma pode.  

Claro que é mais fácil colocar empresas numa lista suja e enquadrar bancos onde não há democracia. Sem contestação, as decisões de governo são mais ágeis. Mas não acho que isso seja desculpa para o Brasil. Vou citar apenas um exemplo: No PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a suspensão da cobrança de PIS e Cofins na compra de insumos e serviços utilizados pela construção civil serve pra todo mundo, sem discriminação. Imaginem que maravilha seria se esse e outros benefícios fossem condicionados ao respeito a determinados critérios socioambientais! Mas aí já não seria o PAC... Seria algo como PRC (Plano de Racionalização do Crescimento). Sonhar não custa nada!

Via Negócios Sustentáveis
Para saber mais: China Radio International




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
Posts anteriores
04/08/2008
• Saber fazer
14/07/2008
• Eis a questão
16/06/2008
• Vai mal
09/06/2008
• Efeito Brasil
12/05/2008
• Por hoje é só
13/11/2007
• Dendê pode!
05/11/2007
• Rapidinha
22/10/2007
• Fim de festa
16/10/2007
• Frase da semana
11/10/2007
• Merchand do bem
10/10/2007
• Tirando onda
09/10/2007
• Registro
10/09/2007
• Gato por lebre
06/08/2007
• Retrato
02/08/2007
• Lua vermelha