Eco Balaio
09/10/2007 ÀS 17:51
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Eu, que sou uma blogueira desorganizada e atolada de trabalho, perdi o timing para escrever aqui sobre o Pacto Amazônia, aquele plano elaborado por 10 das principais ONGs ambientalistas em atividade no Brasil, além do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), para zerar o desmatamento ilegal na floresta até 2015.

E você, que é um leitor antenado e interessado no futuro da Amazônia, a essa altura já deve saber tudo sobre o assunto. Mas preciso ressaltar aqui pelo menos dois aspectos que me chamaram a atenção:

-O primeiro diz respeito a uma novidade. Investir em fiscalização e controle, além da criação de unidades de conservação, são medidas consagradas e presentes em todas as conversas de combate ao desmatamento. Mas dessa vez, as ONGs propõem também levar adiante a velha (porém nunca implementada) idéia de ressarcir os fazendeiros por área de floresta não derrubada.

O que se propõe é ampliar também aos produtores o conceito de que comunidades tradicionais (índios, ribeirinhos e quilombolas) prestam serviços ambientais pela conservação do bioma, portanto devem ser compensados financeiramente. E por quê não? Que bom que as ONGs resolveram colocar os pingos nos i’s finalmente!

Por diversas vezes, a turma do Mato Grosso (celeiro do Brasil) argumentou que nessa história de salvar o planeta, “pagando bem, que mal tem?”.

-O segundo e último ponto diz respeito à irônica dinâmica das coisas. Sempre que o governo quer fazer uma mega obra na Amazônia, e os ambientalistas arrancam os cabelos pensando no aumento do desmate, em algum momento rola uma argumento tipo assim: “Não dá pra esperar que se resolva todo o problema da Amazônia! O país precisa se desenvolver!”

Ok. Agora os principais especialistas na área se reuniram pra dizer que com R$ 1 bilhão por ano, ou seja, R$ 7 bi, dá pra resolver.

Parece muito? Pois é menos de um terço do maior investimento aprovado por essa gestão na Amazônia. Só que esse investimento não tem nada a ver com a floresta ou com as pessoas que moram lá. É o complexo hidrelétrico do rio Madeira (R$25 bi, por enquanto), projetado para atender à demanda de energia do centro-sul industrializado.

Agradecimentos ao querido Mario Menezes, diretor adjunto de Amigos da Terra, que contribuiu com esse toró de parpite.

É possível  fazer o download do Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia no site do Greenpeace 




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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