Eco Balaio
08/10/2007 ÀS 17:02
Godzilla de fumaça

Como diria o rei Roberto, “os meus amigos” Mariana Bastos e Adalberto Leister Filho assinam ótima reportagem de hoje na Folha de São Paulo sobre os efeitos que a poluição em Pequim pode ter sobre a saúde dos atletas nas Olimpíadas de 2008.

A coisa é tão séria, que o fisiologista do Comitê Olímpico dos EUA (Usoc), Randy Wilber, elaborou uma “cartilha de sobrevivência” para os atletas americanos, que recomenda o uso de máscaras de carvão ativado para minimizar o contato com substâncias tóxicas no ar. Além disso, o Comitê vai providenciar para que a delegação só desembarque na China em cima da hora para as competições, evitando ao máximo a exposição nociva à poluição.

Sob o aspecto esportivo, é impressionante a especulação de que Pequim 2008 pode até passar em branco no que diz respeito a recordes mundiais, especialmente na prova de maratona. Substâncias como monóxido de carbono (CO) e dióxido de enxofre (SO2) dificultam o transporte de oxigênio pelo sangue e podem provocar reações alérgicas nas vias aéreas.

Já é carne de vaca dizer que Pequim é muito poluída. Mas quanta poluição é muita poluição?

O problema da cidade não é só a altíssima industrialização e a conseqüente poluição das fábricas, nem apenas os mil novos veículos que são despejados nas ruas a cada 24 horas. Há também uma questão geográfica para complicar. O problema da falta de espaço na maior cidade da China “empurrou” para as cidades satélite (o que seria a “Grande Pequim”) mais e mais fábricas, além de usinas de carvão o que ainda representam uma das principais fontes de energia em todo o país. Estima-se que 70% das partículas de poluição que pairam sobre Pequim no verão são originadas fora da cidade, que por sua vez é cercada de montanhas. Isso impede a fumaça de se dissipar.

É justo dizer que os habitantes vivem sufocados em um caldeirão de neblina tóxica, onde os dias de céu azul são raros. Para completar, segundo um relatório do Usoc, quase 50% dos maiores canteiros de obra do mundo estão em Pequim e arredores, o que contribui significativamente com nuvens de poeira.

Eu já comentei aqui, quando falava da possibilidade da Copa do Mundo na Amazônia, que esses grandes eventos esportivos têm o poder de influenciar os rumos do mundo. Não sei como a China vai estar até agosto do ano que vem, mas se eu tivesse que apostar as minhas fichas em alguma possibilidade, diria que as Olimpíadas de 2008 vão provocar a maior comoção mundial em torno do tema meio ambiente, desde o relatório do IPCC sobre mudanças climáticas. E vocês, o que acham?

E aqui a reportagem "Poluição ameaça atletas e preocupa em Pequim-08" da Folha de São Paulo. 




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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