Carlos Medeiros é apenas um nome, um fanstasma na dianteira do maior esquema de grilagem já visto no país, segundo atestou a própria CPI da grilagem em 2001.
Para quem acompanha ou trabalha com o tema Amazônia, essa história é conhecida. Na minha antiga redação, sempre que um homônimo aparecia em alguma apuração coçávamos o queixo ou fazíamos cara de “aí tem coisa”, para não perder a piada. Mas nunca cheguei a conhecer os impressionantes detalhes do esquema, até ler a reportagem “O latifundiário fantasma”, de Felipe Lobo, no site O Eco.
O repórter descreve como uma carta de adjudicação retirada do inventário de dois portugueses, no séc. XIX (favorecendo um tal Carlos Medeiros), foi aceita pelo judiciário já 1975, e como a propriedade de uma porção de terras públicas dignas de capitania hereditária passou para o nome do referido fantasma.
A partir daí, fatias e mais fatias desse latifúndio foram sendo vendidos para pecuaristas e madeireiros ao longo das décadas, numa teia de papéis que torna a investigação da grilagem um pesadelo burocrático. Hoje o MPF acredita que todas as propriedades que já passaram pelo nome de Medeiros foram devidamente rastreadas e reintegradas. A quadrilha por trás do esquema, entretanto, nunca foi descoberta. E como toda assombração de respeito, o fantasma grileiro permanece à solta e à espreita. Vale a pena a leitura.