Eco Balaio
20/08/2007 ÀS 16:28
Desmatamento on-line


A internet é mesmo o paraíso do instantâneo. Ontem, uma amiga que é jornalista de esportes comentou comigo que até julgamentos na justiça desportiva podem ser acompanhados "lance a lance" na web. Foi o que me inspirou a comentar aqui que o desmatamento na Amazônia também pode ser acompanhado ao vivo e a cores pela internet. O site Imazongeo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), oferece diversos tipo de mapas e dados atualizados sobre o desmatamento na região.

É possível levantar, por exemplo, qual a posição de um determinado estado ou município no ranking de queimadas. O mesmo vale para unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária. Outra possibilidade é gerar um mapa com os focos de calor detectados no período de sua escolha.

Foi o que eu fiz com o mapa aí em cima. Cada um desses pontinhos vermelhos representa uma queimada grande o bastante para ser detectada pelo satélite. E isso tudo ao longo do mês de agosto, ou seja, agora. Vale a pena ressaltar a grande concentração vermelha no centro do estado do Pará. Essa área corresponde, em parte, à Terra do Meio, região famosa pelo violência fundiária, onde trabalhou, viveu e morreu Dorothy Stang.

Antes do Imazon se lançar nessa empreitada, as análises do desmatamento eram exclusividade do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Duas vezes por ano, eles reúnem os jornalistas em Brasília para divulgar as informações dos sistemas Deter e Prodes. Eu, que nunca fui enviada especial a Brasília, ficava dependendo das minhas fontes para receber o PDF da apresentação, ou poderia consultar os mapas no site do Inpe. E para mim, entender aqueles mapas era o mesmo que entender sânscrito.

Resumo da ópera: ponto para a transparência e para a democratização da informação.

Só mais uma coisa: os dados oficias do desmatamento na Amazônia (os chamados "dados consolidados") continuam sendo os fornecidos pelo sistema Prodes do Inpe, e também podem ser consultados no Imazongeo.




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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