
É possível levantar, por exemplo, qual a posição de um determinado estado ou município no ranking de queimadas. O mesmo vale para unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária. Outra possibilidade é gerar um mapa com os focos de calor detectados no período de sua escolha.
Foi o que eu fiz com o mapa aí em cima. Cada um desses pontinhos vermelhos representa uma queimada grande o bastante para ser detectada pelo satélite. E isso tudo ao longo do mês de agosto, ou seja, agora. Vale a pena ressaltar a grande concentração vermelha no centro do estado do Pará. Essa área corresponde, em parte, à Terra do Meio, região famosa pelo violência fundiária, onde trabalhou, viveu e morreu Dorothy Stang.
Antes do Imazon se lançar nessa empreitada, as análises do desmatamento eram exclusividade do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Duas vezes por ano, eles reúnem os jornalistas em Brasília para divulgar as informações dos sistemas Deter e Prodes. Eu, que nunca fui enviada especial a Brasília, ficava dependendo das minhas fontes para receber o PDF da apresentação, ou poderia consultar os mapas no site do Inpe. E para mim, entender aqueles mapas era o mesmo que entender sânscrito.
Resumo da ópera: ponto para a transparência e para a democratização da informação.
Só mais uma coisa: os dados oficias do desmatamento na Amazônia (os chamados "dados consolidados") continuam sendo os fornecidos pelo sistema Prodes do Inpe, e também podem ser consultados no Imazongeo.