Eco Balaio
13/08/2007 ÀS 14:11
Ilusões perdidas

Quando ainda estava em viagem pela Amazônia, escrevi aqui* sobre a preocupação com o espólio que as usinas do rio Madeira podem deixar para Porto Velho diante do estouro de crescimento, seguido de mais desmatamento e mais demanda por serviços públicos ineficientes. Pois o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) acaba de lançar um estudo sobre esse fenômeno, intitulado “O Avanço da Fronteira na Amazônia: do Boom ao Colapso”.

O principal mérito do estudo é questionar a idéia de que o desmatamento é o preço a se pagar pelo progresso. Ao contrário, dizem os pesquisadores, onde cai a floresta sobram pobreza, más condições de vida e conflitos violentos pela terra. Para chegar a essa conclusão, o Imazon dividiu a Amazônia em quatro áreas: florestal, não florestal, desmatada e sob pressão (área onde acontecem novos desmatamentos) e analisou indicadores sociais, como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em cada uma delas.

Nas áreas sob pressão ocorre um rápido aumento de emprego e renda, garantidos pela exploração de madeira e pela especulação fundiária. Nessas regiões o IDH marca 0,713, o mais alto índice em toda Amazônia.

Entretanto, na parte onde já se desmatou todo o possível, o IDH é mais baixo (0,659) e apenas ligeiramente superior às áreas florestais intactas (0,648).

Esse é um retrato do modelo de desenvolvimento que rege a Amazônia desde sempre. Algo que os especialistas convencionaram chamar de ‘economia de fronteira’. Num primeiro momento, quando se expande a fronteira da exploração predatória de florestas, há um grande aporte de capital e renda (o “boom”). Mas esse movimento é frívolo, do ponto de vista sócio-econômico. Os recursos se esgotam, a terra é geralmente convertida para agropecuária, que gera pouquíssimos empregos, e a situação se inverte (o “colapso”).

Para quem se interessou, é possível fazer o download no site do Imazon ou no site Amazônia. Gosto do Imazon porque os trabalhos são sempre objetivos, amplamente ilustrados e acessíveis para leigos.

* Veja o post aqui




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
Posts anteriores
06/10/2008
• Fogo amigo
01/09/2008
• Ecoansiedade
04/08/2008
• Saber fazer
14/07/2008
• Eis a questão
16/06/2008
• Vai mal
09/06/2008
• Efeito Brasil
12/05/2008
• Por hoje é só
13/11/2007
• Dendê pode!
05/11/2007
• Rapidinha
22/10/2007
• Fim de festa
16/10/2007
• Frase da semana
11/10/2007
• Merchand do bem
10/10/2007
• Tirando onda
09/10/2007
• Registro
10/09/2007
• Gato por lebre
06/08/2007
• Retrato
02/08/2007
• Lua vermelha