O principal mérito do estudo é questionar a idéia de que o desmatamento é o preço a se pagar pelo progresso. Ao contrário, dizem os pesquisadores, onde cai a floresta sobram pobreza, más condições de vida e conflitos violentos pela terra. Para chegar a essa conclusão, o Imazon dividiu a Amazônia em quatro áreas: florestal, não florestal, desmatada e sob pressão (área onde acontecem novos desmatamentos) e analisou indicadores sociais, como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em cada uma delas.
Nas áreas sob pressão ocorre um rápido aumento de emprego e renda, garantidos pela exploração de madeira e pela especulação fundiária. Nessas regiões o IDH marca 0,713, o mais alto índice em toda Amazônia.
Entretanto, na parte onde já se desmatou todo o possível, o IDH é mais baixo (0,659) e apenas ligeiramente superior às áreas florestais intactas (0,648).
Esse é um retrato do modelo de desenvolvimento que rege a Amazônia desde sempre. Algo que os especialistas convencionaram chamar de ‘economia de fronteira’. Num primeiro momento, quando se expande a fronteira da exploração predatória de florestas, há um grande aporte de capital e renda (o “boom”). Mas esse movimento é frívolo, do ponto de vista sócio-econômico. Os recursos se esgotam, a terra é geralmente convertida para agropecuária, que gera pouquíssimos empregos, e a situação se inverte (o “colapso”).
Para quem se interessou, é possível fazer o download no site do Imazon ou no site Amazônia. Gosto do Imazon porque os trabalhos são sempre objetivos, amplamente ilustrados e acessíveis para leigos.
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