O caso de Marina é mais complicado. O primeiro desafio seria convencê-la a sair do PT, partido com o qual a senadora tem laços históricos de fidelidade e no qual jamais conseguiria apoio para cargo executivo que não fosse o governo do Acre.
A segunda dificuldade é sua ambição pessoal. Marina já é uma personalidade histórica, de prestígio mundial ilibado (só no último ano já ganhou quatro condecorações internacionais). Por que toparia passar pelo desgaste de uma campanha presidencial e pegar a bucha de ser presidente, virando telhado de vidro para tudo e para todos?
Só ela sabe. Mas a possibilidade é tão legal que gosto de conjecturar. Por exemplo: Marina candidata seria como refundar o PV. Seria retomar os princípios originários do partido e encampar de fato uma proposta de País que tenha a questão ambiental como prioridade. Quem bom seria ter um partido com essas características fortalecido no cenário nacional. E que melhor momento para começar esse trabalho senão agora, quando tantos países relevantes, a começar pelos Estados Unidos, elevam a política ambiental ao status de estratégica?
Em entrevista à Carta Capital, o diplomata Rubens Ricúpero acertou na mosca: “O único problema mundial que não pode ser resolvido sem o Brasil é o ambiental”. Ou seja, é a única área em que o País tem condições de exercer liderança num horizonte próximo. Se essa análise estiver correta, Marina Silva como presidente é a chave para um Brasil fortalecido no cenário internacional.
A chefe de redação do Valor Econômico, Rosângela Bittar, arriscou um palpite em artigo publicado no jornal: aposta que Marina teria entre 8% e 9% das intenções de voto na largada, graças à simpatia da classe média pelas questões ambientais e pelo próprio PV. A senadora tem grande carisma e pertence ao seleto grupo de políticos identificados com a ética pela opinião pública.
Mas imagino que seu calcanhar de Aquiles seria justamente o meio ambiente. Numa disputa eleitoral, consigo visualizar os adversários argumentando que Marina entende de floresta e só. E que é preciso muito mais que isso para comandar o País. Estariam errados, acredito. Pouco assuntos são tão transversais quanto meio ambiente. A discussão é inseparável de energia, infra-estrutura, desenvolvimento, cultura, políticas sociais. E Marina é escolada em todos esses assuntos, até porque é senadora da República desde 1995.
É quase impossível, mas vamos sonhando. Quem sabe a gente não emplaca Marina, mas emplaca uma mensagem de apoio à sustentabilidade no poder.