Os seis assentamentos que aparecem na liderança da lista negra, todos do infame estado do Mato Grosso, desmataram juntos 205.859 hectares, segundo o Ibama. Salvo erro de cálculo meu, isso equivale a 1.286 parques do Ibirapuera. Bota desmatamento nisso.
O Ibama aplicou multas que, somadas, correspondem a mais de R$230 mil. Mas o Incra diz que não vai pagar. Segundo o instituto, os dados do Ibama comparam equivocadamente imagens de satélite de antes e depois da medida provisória que mudou o limite de desmatamento permitido de 50% da propriedade, para 20%. O Ibama prometeu avaliar as reclamações do Incra e divulgar novo parecer.
Esses são os fatos. Agora, algumas considerações:
Fica patente o descompasso entre dois órgãos que, num mundo ideal, deveriam ser complementares. Se os dados apresentados pelo Ibama são reais (e não acho que haja motivos para desconfiar do contrário) é inegável que as mínimas prerrogativas ambientais ainda não penetraram uma esfera tão importante do executivo nacional. O ponto convergente entre Ministério do Meio Ambiente e Ministério do Desenvolvimento Agrário são as políticas de uso do solo que, obviamente, são fundamentais no combate ao desmatamento. Se as políticas não são afinadas, haja paciência para esse jogo inútil de mocinho e bandido.
É preciso notar também que os dois lados estão se valendo de malandragem para esconder sua parcela de responsabilidade. O Ibama quando resolve jogar a bomba no colo do Incra na mesma oportunidade em que divulga os dados do Deter que mostram aumento de 134% no desmatamento em comparação com o ano passado. Já o Incra, representado em entrevista à Folha de S. Paulo pelo ministro Guilherme Cassel, diz-se aviltado pela culpabilização de pequenos produtores, quando é sabido que os peixes grandes são os latifundiários.
OK, é verdade. A própria "lista dos 100 maiores" demonstra que dois terços do desmatamento no último período aconteceram em terras privadas. Mas e daí? O escândalo da ilegalidade ambiental sob a tutela de políticas públicas federais é menor por conta disso? Seria o mesmo que um ladrão alegar inocência só porque outros criminosos roubam mais que ele. Hay que ler nas entrelinhas...