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A volta do Capitão Planeta Carolina Derivi - 20/07/2011 às 13:08
Leio no Huffington Post Green que o personagem Capitão Planeta está prestes a ser resgatado do ostracismo e não consigo conter uma fagulha de excitação. E se você também foi criança no começo dos aos 90 deve entender esse meu entusiasmo nostálgico. A turma do vai planetaaaa!! era um dos nossos entretenimentos preferidos e assim como outras pérolas animadas ajudou a formar essa tal consciência ambiental.
O que me deixou mais curiosa foi imaginar como o clássico herói verde e seus cinco protetores serão reinterpretados no século 21. Sim porque correndo o risco de dizer uma obviedade os desenhos animados já não são mais os mesmos.
Capitão Planeta, pra mim, é uma espécie de fase transitória entre a tradição original dos desenhos Disney e os cartoons mais refinados de hoje, em termos do debate ambiental. Explico: era repleto do sentimentalismo ecologista bocó presente em Bambi, Branca de Neve, Ursinho Puff (entre outros), mas também arriscava um pouco mais de elaboração para explicar a origem dos impactos ambientais e as formas de prevenção.
Essa evolução histórica das animações já rendeu muito debate acadêmico. No livro The Idea of Nature in Disney Animation, David Whitley defende que retratar a natureza de forma harmoniosa e benevolente, quase como um jardim do Édem, inspirou milhares de futuros ambientalista com o que ele chama de biofilia (amor pela natureza), em uma época em que os documentários ou filmes mais sérios sobre meio ambiente não eram capazes de atingir grandes audiências. Já Bambi foi o recordista global de bilheteria desde o lançamento em 1942 até os anos 60 quando surgiram os primeiros blockbusters.
Entretanto, essa geração de desenhos também é alvo de críticas ácidas, como as do acadêmico Ralph H. Lutts, ouvido nesta reportagem do New York Times. Para ele, a mensagem do meio ambiente romântico é uma farsa que deixou de ensinar à crianças a verdadeira complexidade, cheia de conflitos e dilemas, da relação homem-natureza.
Na outra ponta, temos os feitos de Pixar e companhia que conseguiram traduzir questões ambientais contemporâneas extremamente complexas. Eu fiquei de cara quando descobri que Bee Movie era uma grande ilustração da proposta de pagamento por serviços ambientais ou que Carros 2 refletia a disputa entre os biocombustíveis e a industria do petróleo.
As crianças de hoje são mais inteligentes? Não, não vou entrar nessa polêmica. Tenho uma pauta em mente bem menos interminável.
A minha impressão é de que a natureza romântica e inocente dos desenhos em décadas passadas demarcava um território de faz-de-conta exclusivo da infância. Todos queriam que suas crianças fossem ecologistas. Mas continuar sendo ecologista depois de adulto talvez fosse o equivalente a continuar acreditando em Papai Noel.
Então, o que dizer do estilo afiado e revelador de atualidades dos desenhos contemporâneos? Será que eles anunciam uma sociedade que espera que suas crianças mantenham certas convicções pela vida toda?
Certo é que Capitão Planeta deve passar por uma bela repaginada antes de estrear na telona. Estou ansiosa para saber como vai ser isso.
ver este postcomente
21/07/2011 às 11:45 Anonymous - diz:
Clázia – diz:Bom dia!!!Fiquei muito feliz quando li esta notícia, pois o Capitão Planeta foi um desenho muito assitido por mim e meus irmãos na infância… Espero que ele volte meeeeesmo!!!
08/08/2011 às 09:48 Anonymous - diz:
Fatima Zanin – diz:Fatima Zanin – diz:Que bom que esteja de volta.
08/08/2011 às 09:49 Anonymous - diz:
Fatima Zanin – diz:Fatima Zanin – diz:Fatima Zanin – diz:Que bom que esteja de volta.
08/08/2011 às 18:33 Anonymous - diz:
Dani Antunes – diz:Só digo uma coisa: “Vai, Planeta!” haha
08/08/2011 às 19:09 Anonymous - diz:
Mauro Brondani – diz:Olá amiga que maravilhosa notícia,quer dizer que o capitão planeta vai estar nas telonas,bom demaaaais,vou estar aguardando ansioso!!Abçsss!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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