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Vila japonesa encara lixo zero Carolina Derivi - 14/04/2010 às 12:24

No meio de tanta decepção com os prognósticos de Belo Monte e da COP16 esta semana, achei melhor espantar a ôia ruim e contar uma história inspiradora. Os 2 mil moradores de Kamikatsu, no Japão, se lançaram a um “experimento ecológico inédito”, como diz o jornal The Guardian: ser a primeira comunidade japonesa livre de lixo.

Desde que a política de lixo zero foi aprovada, em 2003, Kamikatsu já atingiu 80% de reciclagem do total de resíduos gerados. Ainda não é a meta final, que tem prazo para ser atingida em 2020, mas já um baita resultado. Especialmente se a gente levar em conta o trabalhão que foi imposto aos moradores…

Se você tem preguiça de reciclar o seu lixo, olha só o que essas pessoas fazem: todo o lixo tem de ser muito bem lavado e separado em 34 categorias. Papéis, como revistas e jornais velhos, tem de ser empilhados e acomodados em caixas feitos com embalagem de leite. Garrafas precisam ser separadas por cor, e aquelas que continham molho de soja ou óleo de cozinha devem ser separadas das demais. E tem muito mais regras.

Nada de coleta na porta de casa. Cada um é responsável por levar o seu lixo à estação de reciclagem. Quem sai da linha recebe um “firme porém educado” puxão de orelha dos voluntários que trabalham na estação.

A recomendação geral é não consumir o que não pode ser reciclado e 93% das casas têm composteiras para o lixo orgânico. Os 20% de lixo que ainda sobram são acomodados na lojinha da estação e quem quiser reaproveitar alguma coisa pode levar pra casa de graça. Baterias são despachadas para outra cidade que faz a reciclagem e o que não tem jeito mesmo é incinerado.

O que eu acho incrível, e isso valeria para qualquer lugar do planeta, é a disposição em concordar coletivamente com um sacrifício em nome do bem-estar coletivo. Nada da ojeriza à inconveniência inexorável a todos nós. Em algum lugar do Japão tem um punhado de pessoas que parecem que não são desse mundo.

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Comentários

14/04/2010 às 15:05 Aline - diz:

Aline – diz:Realmente! Impressionante que tenha um grande grupo de pessoas em algum lugar do mundo q faz esse trabalho (dividir em 34 categorias? Nada facil…) para eliminar seu lixo!http://obauerrante.blogspot.com

14/04/2010 às 15:13 Anonymous - diz:

Andreia – diz:Só discordo em uma coisa: Tendo que lavar praticamente tudo que será reciclado, se melhora o meio ambiente, mas se acabaria com a água no mundo!

15/04/2010 às 11:26 Anonymous - diz:

Mário – diz:Imagina, Andreia…basta captar água da chuva…

28/04/2010 às 21:05 Anonymous - diz:

Zé Brasil – diz:E claro, reciclar a água. O negócio é fechar o mais que puder o ciclo dentro da própria comunidade. Falando nela, esta aí percebeu que cuidar do meio ambiente é cuidar de si próprio.

20/03/2011 às 11:01 Anonymous - diz:

Kátia – diz:Kátia – diz:Kátia – diz:Incrível a conscientização dessas pessoas. E mais, caso não houvesse esse trabalho, apesar da grande catástrofe acontecida lá, tudo poderia estar ainda muito pior. O povo continua tratando do seu lixo, mesmo diante de terremotos e tsunami.

20/03/2011 às 11:02 Anonymous - diz:

Kátia – diz:Kátia – diz:Kátia – diz:Kátia – diz:Kátia – diz:Incrível a conscientização dessas pessoas. E mais, caso não houvesse esse trabalho, apesar da grande catástrofe acontecida lá, tudo poderia estar ainda muito pior. O povo continua tratando do seu lixo, mesmo diante de terremotos e tsunami.

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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