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Sustentabilidade dá dinheiro? Carolina Derivi - 17/11/2010 às 12:55

“Olha, a gente gostaria de fazer mais em sustentabilidade, mas os nossos investidores simplesmente não ligam pra isso”. Essa foi resposta infalível nas cinquenta entrevistas em profundidade com CEOs de empregas globais comandadas pela consultoria Accenture’s, para o estudo A New Era for Sustainability. Outros 766 responderam a um formulário online e o bode na sala foi sempre o mesmo.

Muita gente me fala, com um ar de desconfiança, que empresas só querem ganhar dinheiro. Como se as ações de responsabilidade fossem inevitavelmente maquiagem, e sustentabilidade e lucro fossem dois fatores antagônicos. Não são. Há maneiras bem simples de demonstrar valor para as empresas e, consequentemente, seus acionistas.

O imperativo da eficiência é o exemplo mais claro. Se a sua empresa combate o desperdício de água, energia e materiais, então está de fato poupando dinheiro. Além disso, está reduzindo a exposição ao risco, que pode representar prejuízos maiúsculos, como foi o caso da BP no Golfo do México. Por fim, o investimento em soluções socioambientais leva à inovação, que por usa vez leva a novos produtos, novos serviços, novos mercados, e mantém acessa a chama da capacidade de competir.

Então por que será que os investidores não entendem? O diagnóstico da Accenture’s é que está faltando comunicação por parte das empresas. Uma comunicação capaz de quantificar o retorno ambiental ao lado do financeiro e de demonstrar essa conjugação no coração dos negócios.

Não é fácil. A BP, por exemplo, tinha todo o feijão com arroz da sustentabilidade (relatórios, departamento especializado, gestão ambiental de impactos etc) e ninguém foi capaz de prever o desastre. Taí uma análise de risco que teria valido ouro para acionistas.

Talvez o maior espaço de inovação nessa nova era de sustentabilidade, a que a Accenture’s se refere, nem seja apenas o das tecnologias limpas, mas também as ferramentas capazes de medir e monitorar risco, impacto e desempenho.

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Comentários

17/11/2010 às 20:53 Anonymous - diz:

Tuani Perez – diz:Muito bom!Realmente, não vale muito se investir em coisas novas se não conseguimos nem manter “nossa casa” em segurança!

18/11/2010 às 10:15 Anonymous - diz:

Cassio Vellani – diz:Parabéns pelo post. Os investidores querem saber quanto as atividades ecológicas geram de dinheiro? Eu tenho a solução para isso. Segue o link de um artigo para disserta sobre um modelo inadequada de medir ecoeficiência (desempenho econômico com ecológico: http://www.ead.fea.usp.br/semead/13semead/resultado/trabalhosPDF/215.pdf

21/11/2010 às 21:03 Anonymous - diz:

Luara – diz:Em algum jornal eu li que havia, sim, indícios da falta de segurança da BP, mas foi subjulgado por quem tinha poder de evitar -.-

24/11/2010 às 15:58 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:Oi Laura, sim, o furo foi do programa 60 Minutes, da emissora de TV americana CBS. Eles entrevistaram um ex-funcionário e especialistas independentes que acusam a BP de negligência. Mas o mal já está feito, não é mesmo? O meu ponto aqui neste post é que todos os indicadores de sustentabilidade não foram capazes de antecipar os riscos. E isso faz com que analistas de mercado não sintam firmeza para traduzir a sustentabilidade em termos financeiros. Essa é uma tarefa tremendamente desafiadora porque envolve, entre outras coisas, uma nova cultura de transparência nas empresas. Abraço!

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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