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A ressaca de Copenhague Carolina Derivi - 06/10/2010 às 11:44
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Nem parece, mas no final do ano teremos mais uma Conferência do Clima (COP-16) em Cancun, no México. Digo isso porque, a essa altura, no ano passado, não se falava em outra coisa!
Lembram do Blog Action Day? Foram 31 mil posts sobre mudança climática em 155 países, lidos por quase 18 milhões de pessoas. Os movimentos 350 e TckTckTck, só para citar os mais importantes, conseguiram organizar milhares de manifestações públicas em mais de 180 países. Isso sem falar na extensiva cobertura da imprensa durante aquelas duas semanas de dezembro em Copenhague.
Nunca houve tanta pressão e foco na diplomacia do clima. Copenhague foi, como já preconizávamos no começo de 2009, a COP das COPs. Mesmo assim, não conseguiu entregar o resultado que todos esperavam: um acordo global legalmente vinculante, com metas numéricas ambiciosas, que incluíssem os países emergentes (BASIC) e os EUA, além de garantir financiamento apropriado para adaptação nos países mais pobres.
Parece que a ressaca da COP15 foi tão violenta que se faz sentir até hoje, dado o clima de ceticismo em relação a Cancun e a falta de gás dos movimentos socioambientais para manter o mesmo nível de atenção e pressão.
Mas há outro fator preponderante nessa apatia geral. Entre analistas e ativistas, cresce a percepção de que a Convenção do Clima, como fórum e arranjo institucional, nunca vai dar em nada. O problema estaria já nas bases de funcionamento. Essa é uma das conclusões do vibrante livro Copenhague: Antes e Depois, de Sergio Abranches.
Vejamos o esquema de plenária, por exemplo. Todos os 193 países têm de concordar com tudo. Isso envolve compatibilizar países tão díspares quanto Arábia Saudita e Tuvalu, lembra Abranches. O primeiro tem uma economia dependente do petróleo; o segundo deve virar uma Atlântida dos tempos modernos mesmo com a mais ligeira elevação do nível do mar.
Tem muita gente por aí que aposta numa nova seara, nos moldes da Organização Mundial do Comércio. Seria um modelo um pouco menos democrático, no entanto mais eficiente, com poderes para organizar o fluxo financeiro e cobrar o cumprimento dos compromissos, com sanções.
Por um lado, seria como trocar de campo aos trinta minutos do segundo tempo. Por outro, é tão estreita a janela para guinar dramaticamente a curva de emissões globais, que a perda de tempo com um arranjo que não garante resultados concretos parece justificar propostas inovadoras na base do muda-tudo.
Foto: Mike Licht via Flickr
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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