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Pra quê serve uma floresta? Carolina Derivi - 29/09/2010 às 14:27


Foi muito comentado na internet brasileira o especial da revista The Economist sobre florestas. Acho que o mais interessante, para leitores de cá sempre tão restritos às notícias da Amazônia, é conhecer o estado das florestas do mundo e quanta coisa os diferentes países têm em comum.

Dá para se surpreender, por exemplo, com a informação de que a Rúsia é o país mais florestado do mundo, não o Brasil. A Foresta Boreal, ou Taiga, característica do extremo Norte do planeta, foi extensivamente derrubada por causa de vetores muito parecidos com os que hoje estimulam o desmatamento das florestas tropicais: madeira-para-que-te-quero e commodities. Se há alguma diferença ela está no aumento meteórico da demanda e a velocidade desse processo.

A revista menciona ainda registros de séculos passados que indicam que as pessoas já sabem há muito tempo que mais ou menos floresta equivale a mais ou menos chuva. E assim se discute a dificuldade peculiar da humanidade em compreender o valor das florestas nativas, apesar de tanto conhecimento.

Além da regulação do clima e do abrigo para mais de metade das espécies de mamíferos, aves e insetos, lembra The Economist, as florestas são o ganha-pão parcial ou integral de 400 milhões das pessoas mais pobres do mundo. É muito interessante essa relação entre a base da pirâmide socioeconômica e os serviços florestais. Falei sobre isso aqui.

Tem até um par de físicos russos que causou frisson no meio acadêmico com um artigo que coloca as florestas, e não a temperatura, como o principal driver dos ventos. Aparentemente, tem a ver com a mudança de pressão que ocorre quando a água passa do estado gasoso para o líquido, no ambiente sempre tão úmido desses ecossistemas.

O ponto mais surpreendente, e digno de aplauso, foi a disposição da revista em reconhecer que as soluções de mercado para a conservação das florestas são eficientes até certo ponto. Ou seja, políticas de compra diferenciadas, em que as grandes empresas selecionam seus fornecedores com critérios socioambientais, ou mesmo o mercado de carbono antecipado pelo Redd, são soluções importantes, mas limitadas. Isso porque, grosso modo, tudo fica no panelão das ações voluntárias e com grandes riscos de greenwash.

O artigo termina com um leve puxão de orelha para os governos, responsáveis pelas políticas de desenvolvimento rural, energia, infraestrutura, uso da terra e muito mais:

“Os cidadãos ocidentais precisam da Amazônia para regular o clima. O Brasil precisa dela para alimentar os rios e gerar hidroeletricidade. Os produtores de soja precisam dela para garantir um nível decente de chuvas. Ainda assim, políticas em todos os níveis conspiram para a sua destruição. Mudá-las, no Brasil e em todo o mundo tropical, é uma tarefa amedrontadora. Mas não é impossível e precisa ser feita. O custo do fracasso seria simplesmente alto demais”.

Foto: Creative Commons
 

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Comentários

01/10/2010 às 12:17 Anonymous - diz:

Vânia Magalhães de Guimarães Mendonça – diz:Aprendí desde criança a ver a ávore como a própria vida, ela faz parte de nós desde o momento em que nascemos e nos acompanha até a morte. Uma floresta é um lugar mágico, sem ela não haveria a vida no nosso planeta!

05/10/2010 às 07:19 Anonymous - diz:

A. Abreu – diz:Gostei do artigo. Nele se refere que, quanto às politicas «Mudá-las, no Brasil e em todo o mundo tropical, é uma tarefa amedrontadora»…Ao que acrescento ‘mas mudá-las é essencial’!! Queremos a Transformação ou a Estagnação?? Seremos amanha aquilo que mudarmos HOJE! Precisamos de politicas corajosas como refere o video http://www.youtube.com/watch?v=XBYeDr25WGY

05/10/2010 às 11:08 Anonymous - diz:

simone vagnini guimaraes – diz:simone vagnini guimaraes – diz:simone vagnini guimaraes – diz:Esse artigo é de suma importância e tem que tomar uma proporção gigantesca. No que se refere à minha parte , vou divulgá-lo e fazer parte desa frente.Vamos enfrentar com o pieto aberto essa questão.Trabalho com música popular direcionada à questão ambiental..meu primeiro Cd é intitulado PIRACEMA.. foi feito de forma independente e é totalmente meu . coloco-o à disposição para possíveis prensagens. nele participam PAulo Jobim com arrnajador e participação e Olmir sTOKER (aLEMÃO)Simone Guimara~es

05/10/2010 às 11:08 Anonymous - diz:

simone vagnini guimaraes – diz:simone vagnini guimaraes – diz:simone vagnini guimaraes – diz:Esse artigo é de suma importância e tem que tomar uma proporção gigantesca. No que se refere à minha parte , vou divulgá-lo e fazer parte desa frente.Vamos enfrentar com o pieto aberto essa questão.Trabalho com música popular direcionada à questão ambiental..meu primeiro Cd é intitulado PIRACEMA.. foi feito de forma independente e é totalmente meu . coloco-o à disposição para possíveis prensagens. nele participam PAulo Jobim com arrnajador e participação e Olmir sTOKER (aLEMÃO)Simone Guimara~es

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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