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O piloto do clima Carolina Derivi - 10/11/2010 às 11:41
Em 1991, a erupção massiva do vulcão Pinatubo, nas Filipinas, teve um efeito colateral mais inesperado que trancamento do tráfego aéreo: reduziu em meio grau a temperatura do planeta, em média. Isso porque as partículas de dióxido de enxofre no caso do vulcão, foram 20 milhões de toneladas têm a capacidade de refletir a luz solar de volta para a estratosfera.
O interessante é que o efeito Pinatubo pode ser reproduzido artificialmente com facilidade, bastando para isso o uso de aviões especiais carregados com essas partículas, a um custo relativamente baixo. É como se alguém tivesse descoberto o termostato da Terra. Mas fácil ainda é a erupção do entusiasmo por esse tipo de tecnologia, frente ao drama do aquecimento global.
Mas a geoengenharia, como ficou conhecido o campo de técnicas para intervenção humana no clima, é muito parecida com os transgênicos em termos de polêmica. Tem gente que saliva com a possibilidade de resolver alguns dos nossos maiores problemas e tem gente que se apavora com os impactos ainda pouco estudados. É possível que a sacada do Pinatubo, por exemplo, desregule o regime de chuvas. Nesse caso, o sucesso na redução da temperatura global se transformaria em fiasco, com a continuidade ou a intensificação das enchentes e das secas extremas.
Ainda que esses efeitos indesejados não existissem, ou se fizesse vista grossa, uma coisa assim demandaria uma sofisticada regulação internacional. Como algumas tecnologias não são nem tão caras, sem tão exclusivas assim, o que aconteceria se um monte de países no auge do desespero lançasse mão de seus próprios métodos de geoengenharia?
Eu tenho uma amiga, especializada em psicologia ambiental, que diz que essa novidade é bem reveladora da psique humana. Ou seja, a gente prefere assumir o peso da responsabilidade por um serviço que a natureza até hoje proporcionou de graça a regulação do clima a renovar os nossos modos de produção e consumo. Seria a variante máxima do narcisismo.
Se o clima fosse uma gigantesca e complexa multinacional, a humanidade seria o assistente administrativo e natureza, o CEO. Dá mesmo para trocar de assentos? A verdade é que a situação pode ficar tão preta que não se pode descartar nenhuma alternativa. A necessidade, enfim, abre caminho para o improviso.
Quando imagino esse futuro provável, penso em um filme clássico de sessão da tarde na minha infância: apertem os cintos, o piloto sumiu!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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