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O ótimo é inimigo do bom? Carolina Derivi - 26/10/2011 às 19:36
Esta é uma máxima minha de trabalho, que saco do bolso sempre que aquelas ambições superlegais – e superlativas – ameaçam comprometer o que poderia ser um resultado menos superlegal, porém factível e realista.
Mas, em se tratando de sustentabilidade, será que vale este mesmo princípio? Podemos nos conformar apenas com o possível? Com “o que tem pra hoje”?
O maior e mais importante conflito de sustentabilidade no mundo não costuma aparecer tanto na imprensa e na mídia em geral. Primeiro, porque é uma coisa bem intelectualizada, mais afeita aos meios acadêmicos. Depois, porque mexe tanto com as nossas estruturas, com a maneira como o mundo funciona hoje, que entra naquela categoria de vespeiro que é melhor não cutucar.
Falo do dilema do crescimento. Da certeza matemática de que todos os nossos esforços para trocar lâmpadas, comprar produtos locais, comer orgânicos, protestar contra o novo código florestal, reduzir emissões etc etc pode não servir para nada se a economia global continuar crescendo indefinidamente.
Podemos reduzir a intensidade de recursos naturais e de energia em cada um dos itens que precisamos para viver. Mas se o consumo não parar de subir, uma coisa anula a outra.
É disso que trata o ideal de desenvolvimento – realmente – sustentável. O problema é que mesmo as mentes mais brilhantes da nossa época ainda não conseguiriam formular uma alternativa para colocar no lugar da macroeconomia que temos hoje. É como se a sustentabilidade, a rigor, fosse uma quimera, uma utopia ainda longe de se materializar em plano de ação.
A Rio-92 foi uma espécie de pedra inaugural. Ali ficou combinado que o desenvolvimento sustentável era o nosso objetivo norteador. Mas vejam que agora, 20 anos depois, o foco da conferência Rio+20 passa a ser “economia verde”. Economia verde é tudo aquilo que citei no começo. É fazer o possível, é reduzir o que der, quando der. Não é mudar o mundo.
Tá assim de gente desconfiada com isso, denunciando o desvio de foco. Gente como José Eli da Veiga, Ricardo Abramovay, Hugo Penteado, e mais uma porção de movimentos sociais e ambientais. E agora? Tenho passado algum tempo contemplando as seguintes alternativas:
A – Estamos desvirtuando tudo, transformando a política do possível num novo patamar de maquiagem verde?
B – Convenhamos… As negociações globais em torno do desenvolvimento sustentável são como uma mula empacada. Diante disso, não é legítimo que se persiga o bom em lugar do ótimo? Um pouco de mudança não é melhor que mudança nenhuma?
ver este postcomente
27/10/2011 às 16:56 Pedro Antônio - diz:
Aprendi que toda revolução implica numa redefinição dos termos básicos. O ótimo não tem inimigos. Eu mesmo faço um trabalho comigo de não ‘criar’ inimigos onde eles não existem, a cultura da dualidade. Bom é bom, ótimo é ótimo.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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