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A morte da lei climática americana Carolina Derivi - 28/07/2010 às 10:08
Sem o apoio dos republicanos e até de alguns democratas, o Climate Act, projeto de lei que propunha a redução das emissões de carbono nos EUA, foi engavetado para sempre na semana passada. Agora seus autores, os senadores Kerry e Lieberman, correm para redigir um texto mais light, que proponha limites de emissões não para todas as áreas da economia, mas apenas para as instalações do setor de energia.
A morte do Climate Act não é apenas uma decepção para quem se preocupa com o aquecimento global em todo o mundo. Um compromisso legal de redução de emissões por lá interessa muito ao Brasil. Isso porque a medida aumentaria a demanda por créditos de carbono. Em outras palavras, para atingir a meta de 17% de redução até 2020, os EUA precisariam compensar uma parte com os esforços de outros países.
O pulo do gato é que reduzir emissões com energia limpa é muito mais demorado e custoso, e muitas opções tecnológicas ainda estão por vir. A opção mais viável é a redução de emissões por desmatamento e degradação o chamado mecanismo REDD e o Brasil tem oferta de sobra nesse quesito, mais que qualquer outro país.
Recentemente, entrevistei um consultor que me informou a fatia atual do Brasil nesse mercado: cerca de 6%. Com a entrada em vigor do REDD, o Brasil poderia facilmente dominar de 30% a 40%, disse ele. O mecanismo REDD ainda não teve as regras aprovadas pela Convenção do Clima, mas é uma das poucas (e boas) expectativas para a próxima COP, no México. O caso é que uma garantia de demanda por parte dos EUA facilitaria muito esse processo.
De volta à estaca zero, as críticas se voltam para o presidente Obama, que não teria sabido aproveitar o desastre no Golfo do México e conclamar o apoio da opinião pública para o baixo carbono.
Se eu fosse americana, eu estaria, na verdade, bem confusa. De um lado, os apoiadores da redução de emissões (cap-and-trade) apostam que haveria uma nova golfada de ar na economia com a geração de muitos empregos verdes. De outro, os opositores apostam no contrário: que a obrigação de reduzir penalizaria a economia, portanto eliminando empregos. Afinal, que tem razão?
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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