Eco Balaio

Publique
o selo
no seu blog

A moda das palavras Carolina Derivi - 23/06/2010 às 15:55

Já pararam para pensar por que a palavra sustentabilidade fez tanto sucesso? Teve inclusive quem creditasse ao novo conceito um caráter de moda que, por definição, cria ondas extremamente populares, mas que tendem ao esgotamento e à substituição. Se isso é verdade, o que veio antes e o que virá depois? Por que o nome deste site é “Planeta Sustentável” e não “Planeta Verde” ou simplesmente “Planeta”?

O Pessoal do Wigg Party, comunidade de ciclistas engajados de São Francisco, postou um divertido histórico desses conceitos. E se essa galera fala, eu tendo a prestar atenção. Não parece coincidência que o movimento hippie, a contra-cultura, a internet e o próprio ambientalismo…todos fincaram pontos de origem e disseminação nas paragens da Califórnia. E segundo esses exímios trend setters, sustentabilidade, a palavra, já era!

A primeira vítima teria sido o movimento natureba, abraçador de árvores que atende pelo nome da cor: verde. Até hoje o termo ainda sobrevive, embora mais apagadinho que o sustentável, em composições do tipo “maquiagem verde” ou “esverdeamento”. Segundo os Wiggs, o grande lance do verde foi unir na esfera do simbólico o que até então era antogônico. Plantas são verdes, plantas são legais. Dinheiro também é verde e dinheiro também é bom.

Pronto. Estava aniquilada a secular oposição entre manutenção do patrimônio natural e desenvolvimento. Mas verde também é a cor do enjôo, não? E como se inserem questões de justiça social, saúde e qualidade de vida nessa causa monocromática? Aí é que os gurus do marketing lançaram o movimento azul, como o céu, sem limites (já falei sobre isso aqui). Mas por enquanto ainda não pegou…

O Wigg Party até especula que esse mesmo movimento teria adotado a palheta do arco-iris num piscar de olhos, não tivesse a bandeira sido incorporada por outro pessoal.

Então é justamente nesse ponto que surge a sustentabilidade. Sem essa de cores, vítimas fáceis de apropriação indevida (Conta-se que até o Mac Donald’s tentou incluir o verde no seu logo), a sustentabilidade trata de uma ideia mais completa: meio ambiente, sociedade e economia. Tudo, mas tudo mesmo que há de bom, embaixo de um mesmo guarda-chuva.

Mas até esse termo começa a apresentar problemas. Por que diachos a gente deveria apenas sustentar o nosso modo de vida? Não podemos fazer melhor? Aliás, foi essa inquietação que batizou o blog do Dennis Russo: Sustentável é pouco.

Assim, segundo os nossos amigos californianos, o próximo termo supremo da moda, o sucessor da sustentabilidade, a mais nova e quente tendência é… Resiliência.

O termo, emprestado da física, já botou as asinhas de fora e aparece aos montes (no meu cotidiano, pelo menos). Significa a capacidade um sistema de se estressar, se esticar, tomar pancadas de todo tipo e ainda assim preservar as suas características essenciais.

O "bom", nesse caso, não é o equilíbrio estático, em que tudo está em harmonia. Mas a tensão e a mudança. Acima de tudo, a esperança que há no imprevisível.

É, o mundo dá voltas… Quem sabe dentro de alguns anos a gente não volta a se falar por aqui, no “Planeta Resiliente”. ;-)

ver este postcomente
Comentários

23/06/2010 às 16:09 Anonymous - diz:

Alexandra Abreu – diz:Há na realidade uma ‘moda das palavras’. A terminologia evolui e só falta mesmo hibridizar as palavras (por exemplo, cruzar metades de duas palavras diferentes e uni-las) de modo a que numa só palavra se tenha o sentido das duas! Talvez isso até nos ajude a reflectir sobre o que estará ‘menos bem’ para mudar! «Mais do Mesmo» é a Estagnação e, para as politicas ambientais, temos de ter coragem para pensar em TRANSFORMAÇÕES que devem ocorrer a diversos níveis -ao nivel do discurso, da tomada-de- decisão, da regulação e políticas-, como nos diz o video: http://www.youtube.com/watch?v=XBYeDr25WGY

24/06/2010 às 10:17 Anonymous - diz:

Aglacy Mary – diz:Aglacy Mary – diz:Mudar é sempre um ato de coragem e muitas vezes uma necessidade. Sei da força que tem uma palavra, mais ainda da força que tem a mídia se resolve matar ou fazer nascer uma nova. Penso, porém, que, na ideia de SUSTENTAR-SE, cabe o sentido da resiliência. SUSTENTAR-SE é manter-se inteiro, de pé, apesar das desequilibrações. Construir sentidos e significados, sempre – esse, sim, é o maior desafio.

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

Posts anteriores

• Biodiversidade minguante

• A soma de todos os problemas…

• Ombudsman para as futuras gerações

• Código Florestal: presente e futuro

• Rio+20: o racha que vem de baixo

• Dilma e o desgosto

• Nada é tão fácil

• A economia florestal vai mal

• Desigualdade faz mal à saúde?

• A última de Kátia Abreu

• Além do Código Florestal

• Não será por falta de aviso

• Nas entrelinhas de uma conferência

• O país mais sustentável do mundo

• O tripé das dúvidas

• Rio+20 em miúdos

• A boa vida e a velhice

• Sobre dar valor ao que tem valor

• Trabalhar menos para ser sustentável

• Desenvolvimento?

• Impacto ambiental na ponta do lápis

• Calar com convicção

• Burnout de Belo Monte

• A economia e os arreios ambientais

• Ambientalistas gregos e troianos

• Geração meio ambiente

• O ótimo é inimigo do bom?

• #Florestafazadiferença

• Rio+20 e a participação

• Contornos da Rio+20

• Falta pânico?

• Floresta que dá dinheiro

• Floresta boa é…

• Fundos ambientais: aprender com a África

• Para entender o desmatamento

• Falando em comida…

• A volta do Capitão Planeta

• A Amazônia e seus quatrilhões

• Embu das Artes e o caminho das pedras

• Eficiência bumerangue

• Ainda Kyoto

• Ambientalismo festivo

• Clássicos da maquiagem

• O enigma da terra

• Ressaca florestal

• Cenoura ou chicote?

• Imitando a natureza 2

• Imitando a natureza

• O melhor investimento do mundo

• Combustíveis da discórdia

• Aprender a conversar

• Na Amazônia não tem efeito Fukushima

• Sustentabilidade by the book

• A farra no licenciamento

• Mulheres florestais

• Ecobag econfusa

• Para inglês ver e acontecer

• Acomodação

• Oscar verde

• Debates esquecidos em Belo Monte

• Momento Sputnik

• Código Florestal e as enchentes

• Abrolhos não rima com Petróleo

• Fatos Florestais 2010

• Um calorzinho a mais

• Adeus ano velho, adeus Código Florestal

• REDDenção

• Etanol pela culatra

• Sustentabilidade dá dinheiro?

• O piloto do clima

• Ponto para a biodiversidade

• Pensar global, sabotar local

• Manejar e deslanchar

• Moradores ameaçados de despejo no Madeira

• A ressaca de Copenhague

• Pra quê serve uma floresta?

• O massacre dos golfinhos

• Pobre demais para ser verde

• 100 empresas para mudar o mundo

• Munição para debates climáticos

• Biodiversidade repartida

• Diversidade bio e cult

• Código Florestal tem solução

• Amazônia equatoriana abre mão do petróleo

• A morte da lei climática americana

• Madeeeeeeira

• O quinto elemento

• Código Florestal: a história sem fim

• Campos de morango para sempre

• A moda das palavras

• O incrível duelo do ruim contra o menos pior

• Pizza na legislação ambiental

• Façam suas apostas

• Biodiversidade e pobreza

• Pesca irracional

• Contabilidade ambiental

• Petróleo em toda parte

• Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento

• Verde, não. Turquesa

• Vila japonesa encara lixo zero

• Floresta sem gente não dá

• Os crentes do clima

• O lado negro da força verde

• Sem cerejas

• Ambiental de dois gumes

• Cada um com seu cada qual

• Adoro Vancouver

• Memórias do Rio Madeira

• A Taxa Robin Wood

• A corrida entre EUA e China

• A economia pode crescer para sempre?

• Avatar

• Floresta X petróleo

• Minha vida em Moreré

• Saideira

• Sem os gatos, os ratos fazem a festa

• O texto dinamarquês

• Kátia Abreu ataca novamente

• Emissões na caixa preta?

• O clima na encruzilhada

• Entre a mata e o machado, quem vai ceder?

• O truco do clima

• Brasil, terra de “contradições”

• Menos criança, menos carbono

• O dia depois de amanhã

• Congresso pode extinguir leis ambientais

• O planeta ou donuts?

• Marina Silva no Roda Viva

• Devaneios no Rio de Janeiro

• A nova guerra do Iraque

• Ovo frito não dá galinha

• Uma economia da floresta

• Quando dói no bolso

• Marina lá – a saga

• Noves fora o desmatamento

• As voltas que a soja dá

• Gringos falando de nós

• Eureca climática

• O Japão é que tem razão

• Pobreza e meio ambiente

• Conexão Peru-Brasil-EUA

• Marina Lá

• MP 458 e a repetição da história

• E o meio ambiente em 2010?

• Da UTI para a vida

• Mensagem das trevas

• Uma espiada no Rio

• Maquiagem sorrateira

• Dois pra lá, dois pra cá II

• Dois pra lá, dois pra cá

• Nove em cada dez são pessimistas

• Clima na mira dos lobistas

• Floresta sim, crédito não

• Por que aderir à Hora do Planeta

• EUA vão reportar emissões

• Meio ambiente é estratégia

• Licenciamento ambiental for dummies

• Banquete de urubus

• O salvamento da crise e do clima

• Cidade quebrada reage na Amazônia

• O fim da picada

• Ideias infames pra salvar o planeta

• Do mal

• Mais uma de Obama

• Chantagem energética

• Drops e balanços

• 11 anos para o caos

• Ano novo, rixas velhas

• Metas inevitáveis

• O país do futuro

• Ser ou não ser

• Ecoterroristas?

• Alguém viu?

• O que esperar da PNMC

• Agir local – Parte 2

• A sensatez na crise

• Fogo amigo

• Para cinéfilos e verdinhos

• O local que funciona

• O verde é o novo vermelho

• Sin perder la ternura

• Ecoansiedade

• Vou ali e já volto

• A volta dos mortos vivos

• Soltando o verbo

• Saber fazer

• EXAME sulista da Amazônia

• Jornalismo capenga

• Eis a questão

• Pulga atrás da orelha

• Há vida além do mercado?

• Enquanto isso, em Brasília

• Vai mal

• Efeito Brasil

• Superar os clichês

• Triste paranóia

• Muito além do símbolo

• Por hoje é só

• Questão de soberania

• O grande espetáculo verde

• Timtim por timtim

• O índio e o Google

• A vida menos verde do vizinho

• A Terra esquecida

• La garantia soy yo!

• África no alvo do clima

• Fazer política pelo exemplo

• Além do que agrada aos olhos

• Quanto mais escuro, melhor

• Números mágicos

• Conversa de louco

• O poder dos bancos

• Ação “autista”

• Acertando o alvo

• Reino do gado na terra de ninguém

• Apostando nos anos rebeldes

• O puro socioambiental

• Rio Madeira, direito e esquizofrenia

• Negócios da China

• Ambiente jurídico

• Clima e política

• Dendê pode!

• Rapidinha

• Pódio para os biocombustíveis

• Enquanto isso…

• Fim de festa

• Frase da semana

• Merchand do bem

• Tirando onda

• Registro

• Godzilla de fumaça

• A cana é a nova soja?

• À Marina, os louros

• Confissões de uma motorista

• O maior grileiro do mundo

• Gato por lebre

• Na cama com a sustentabilidade

• Copa do Mundo na Amazônia

• Desmatamento on-line

• Contextualizando a pobreza

• Ilusões perdidas

• Retrato

• Paulistas e cariocas

• Lua vermelha

• Nova corrida pelo ouro

• O Sustentável, bem entendido

PATROCÍNIO: