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Minha vida em Moreré Carolina Derivi - 06/01/2010 às 17:17
Depois de um avião, um catamarã, uma corrida de mala e tudo, uma lancha e um trator, cheguei ao paraíso. É um clichê, mas é verdade. O cafundó onde eu fui me isolar neste fim de ano prometia tranqüilidade sem igual, nesta época em que as pessoas se digladiam por cada metro quadrado de areia, e beleza de tirar o fôlego. E Moreré, na Bahia, cumpriu tudo que me falavam com sobras.
Só teve uma surpresa desagradável. Exatamente porque é tão difícil chegar e pouca gente se arrisca eu imaginava encontrar um cenário intocado, naquele estilo romântico lagoa azul. Mas o lixo de farofada praiana provou mais uma vez a sua onipresença.
Não era tanto lixo quanto nas praias urbanas, mas cada garrafinha, tampinha, sacolinha que eu espiava pelos cantos me provocava um tremor de ódio. Uma placa de madeira na entrada da vila pregava a missão inglória: Se puder, recolha o lixo que encontrar. Eu até tentei, mas não dava conta.
Depois, de papo com os pescadores, descobri que todo o lixo produzido na ilha fica num lixão, um pedaço de terra menos bonito e visível no centro da ilha em que os resíduos são simplesmente largados, até que em um belo dia desapareçam, como é da nossa ingenuidade supor.
Resultado: não há nenhum motivo para acreditar que o meu impacto ambiental nesses dias de sol e paz tenha sido menor que o dos ogros que largam suas latinhas de cerveja na praia. No final, tudo vai para o mesmo chão e fica lá. Não tem essa, eu que sou consciente e os outros que não são.
Essa coisa das atitudes-individuais-que-fazem-a-diferença prega peças na gente. E se você não fica esperto, pode se deixar levar pela desolação facilmente. Eu até acho que o risco da conscientização individual como panacéia é perder de vista as estruturas que realmente podem provocar as mudanças na escala necessária, por exemplo, empresas e governos. Me dá vontade de morrer quando ouço um discurso que começa com se cada um fizesse a sua parte….
Mas nada disso me impede de fazer o raio da minha parte. E o motivo é simples: não é o resultado prático da latinha que foi reciclada que me seduz. Sob essa ótica, o benefício das minhas escolhas individuais é infinitesimal, vamos combinar.
O que me atrai é ser agente de multiplicação de uma nova cultura. O que me interessa é o quanto eu posso influenciar os demais. Aí sim, especialmente nesses tempos de vida em rede, o pensamento de um pode ser o rastilho de pólvora de vários outros. Se o objetivo é mudar o pensamento, e não o mundo necessariamente, não há por que fraquejar.
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07/01/2010 às 15:45 Anonymous - diz:
carolina – diz:e eu, que sou nativa de Florianópolis?!!
07/01/2010 às 15:56 Anonymous - diz:
Aline Ribeiro – diz:à realmente o que acontece!!!Eu tambem faco o raio da minha parte.”E se você não fica esperto, pode se deixar levar pela desolação facilmente.”Varias vezes estive nesa situacao.Mas algo maior, me faz continuar.. sempre…A ignorância coletiva ainda é um problema em nossa sociedade.
11/01/2010 às 19:31 Anonymous - diz:
Marcelo – diz:Eu também estava lá. Também me assustei com tanto plastico na praia. Também tentei limpar e também não dei conta….que triste né….Carolina, na sua madura visão verde, qual seria a solução para coleta e depósito de lixo em Moreré ??
12/01/2010 às 18:20 Anonymous - diz:
Carolina Derivi – diz:Marcelo, boa pergunta… essa é uma que deixo para os colegas do Lixograma. Só sei que lixão é o pior dos mundos. E me apavora pensar na contaminação do solo e da água por causa desse acúlumo contínuo de detritos. Seria viável criar uma composteira comunitária, com participação dos turistas? Seria viável criar uma cooperativa para transportar de barco o lixo reciclável e vender no continente, como forma de complementar a renda dos pescadores? Não sei… Mas sei que em algum lugar nos arredores de Boipeba tem um prefeito e um secretário que deveria estar pensando nessas coisas.
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20/01/2010 às 18:27 Anonymous - diz:
Ligia – diz:O que me espanta é ver que as pessoas que fizeram o esforço considerável de chegar até um paraíso desses não seguem esse perfil de multiplicadores de uma nova cultura. O cara passou por todo um perrengue para chegar num paraíso e acha que aquilo vai durar pra sempre mesmo se você jogar as latinhas na areia? Ou ainda tem gente que acha que o lixo se autodestrói?Mas acho mesmo que, pelo menos lá, algumas soluções poderiam – e muito – ajudar a população. A criação de uma cooperativa, por exemplo, poderia gerar renda e ainda resolver, em parte o problema do lixo. Na nossa casa, a gente fez de tudo para separar o reciclável do orgânico, mas não há dúvidas que tudo foi – literalmente – pro mesmo saco. Outra pauta que também rende muita discussão no local é a plataforma de gás natural da Petrobrás. Toda a vida aquática na região foi alterada, os pescadores não conseguem mais trabalho e a comunidade está tendo que criar oficinas de construção civil para (tentar) garantir emprego para as próximas gerações.
02/04/2010 às 18:45 Anonymous - diz:
Felipe – diz:O lugar é lindo, Boipeba é fantástico, Boipeba é maravilhoso, conheci as lindas praias deste lugar e adorei, visitem Boipeba, vale a pena conhecer essa ilha maravilhosa, Em Boipeba não deixe de conhacer o vilarejo de Velha Boipeba.
02/04/2010 às 18:47 Anonymous - diz:
Felipe – diz:Felipe – diz:O lugar é lindo, Boipeba é fantástico, Boipeba é maravilhoso, conheci as lindas praias deste lugar e adorei, visitem Boipeba, vale a pena conhecer essa ilha maravilhosa, Em Boipeba não deixe de conhacer o vilarejo de Velha Boipeba.
02/04/2010 às 18:48 Anonymous - diz:
Felipe – diz:Felipe – diz:Felipe – diz:O lugar é lindo, Boipeba é fantástico, Boipeba é maravilhoso, conheci as lindas praias deste lugar e adorei, visitem Boipeba, vale a pena conhecer essa ilha maravilhosa, Em Boipeba não deixe de conhacer o vilarejo de Velha Boipeba.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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