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Menos criança, menos carbono Carolina Derivi - 21/10/2009 às 16:16
Controle de natalidade como medida de sustentabilidade ambiental é um argumento antigo. E é um verdadeiro campo minado. Com a mudança climática no topo das prioridades, o raciocínio é tecnicamente correto: se nasce menos gente, menos carbono se lança na atmosfera. Mas a possibilidade de esbarrar com reminiscências das ideologias mais perversas da história humana é gigante.
Isso virou um arranca-rabo via imprensa nos EUA. O repórter Andrew Revkin, do NY Times, escreveu o artigo Are condoms the ultimate green tecnology? no blog Dot Earth. Com base em um estudo da London School of Economics, Revkin argumenta que uma das maneiras mais baratas de se reduzir as emissões nas próximas décadas seria oferecer anticoncepcionais para as dezenas de milhões de mulheres que dizem querer isso.
Foi o que bastou para o jornalista ultra-conservador Rusch Limbaugh comparar os malucos ambientalistas a terroristas islâmicos que convencem jovens a servir como homens bomba em nome de uma causa maior. Em seu programa de rádio, Limbaugh provocou: Senhor Rivkin, por que o senhor não se mata para ajudar o planeta?.
Revkin diz que estava, na verdade, ironizando a lógica dos mercados de carbono. Afinal, se é possível gerar créditos por desmatamento evitado, também se poderia gerar créditos por nascimento evitado. Eta assunto delicado…
Mas tem uma coisa que me encasqueta nesse tema. Imaginem quantas crianças etíopes precisam nascer para emitir tanto carbono quanto uma criança obesa dos EUA. Os ricos são muito mais danosos ao meio ambiente.
Então por que é que toda vez que se cogita controle de natalidade com o argumento ambiental e climático, a conversa acaba descambando para a natalidade dos pobres?
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22/10/2009 às 11:12 Anonymous - diz:
Mara – diz:Olá Carolina adorei seu post e dei boas risadas também com os dois ultimos parágrafos…enfim, em alguns casos nos resta rir…Parabéns pelo post.
22/10/2009 às 11:51 Anonymous - diz:
Daniela – diz:Não consegui achar nada de divertido nisso. É trágico msm tudo recair em quem nem sabe o que está acontecendo. Eu não tenho filhos “de barriga” por pensar exatamente no mundo que ele terá. Cuido de dois meninos e pretendo adotar mais um. O post é ótimo e traz uma reflexão importante, que merece atenção. Boa!
22/10/2009 às 12:02 Anonymous - diz:
Leandro Ambrosio – diz:Se continuar nascendo crianças a partir da mentalidade atual, não vai adiantar nada. Elas vão achar que têm direito de consumir por quem não nasceu. Pra mim a medida seria paleativa apenas.
22/10/2009 às 13:40 Anonymous - diz:
Climeidy Carvalho – diz:Seja a favor do meio ambiente ou não. Qualquer tentativa de controle da natalidade nos tempos atuais é válido. Não acho que se trate de uma medida paleativa e sim preventiva.
23/10/2009 às 14:03 Anonymous - diz:
Mara – diz:Olá Daniela…talvez eu ñ tenha me expressado de forma clara…primeiro achei o post ótimo e qdo disse que dei boas risadas é pq desde de sempre se fala em controle de natalidade ñ só pelo fato da Sustentabilidade Ambiental mas pela responsabilidade com a criança, sou mãe tenho uma filha de 14 anos e tento passar pra ela alguns valores e ñ impor, e também dar boa escola e prepara-la pra esse mundo que está aí…concordo com vc qdo diz que o post traz uma reflexão aliás os momentos atuais são de grande reflexão e de compartilhar, e também acredito que seja uma medida paliativa…é todo um trabalho de conscientização enfim é isso…ok?Namastê!!!
26/10/2009 às 19:25 Anonymous - diz:
Eduardo – diz:Grande Carolina! Tá sempre levantando assuntos complicados. Sem medo. Sou Seu Fã.Agora se todos (norte) americanos ricos e obesos praticassem o “arakiri” menos carbono seria lançado.Ops. Brincadeirinha.
27/10/2009 às 10:42 Anonymous - diz:
maributter@gmail.com – diz:Também sou sua fã, Carolina. Ótimo post!
30/10/2009 às 00:19 Anonymous - diz:
junior alves – diz:O rico só liga pro meio ambiente quando seus lucros são afetados, enquanto isso, que sofram os pobres. Assim como muita gente, elas só vão ligar pra emissão de CO2 quando a situação estiver crítica, quando todos estiverem realmente sentindo na pele no dia a dia. Outra piada foram os japones com aquele papo de as pessoas irem ao banheiro antes de embarcarem no avião, assim diminuiria o peso e se economizaria combustível. credo! idéia maluca. Enfim, tem gente parece que faz piada com as coisas, com idéias de loucas e absurdas. Que fazer faz direito. Muito bom seu post, vocÊ é ótima… ah outra coisa esse papo de crédito de carbono é a desculpa da maria comer barro, fala sério… (http://juniorhalves.blogspot.com/)
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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