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O melhor investimento do mundo Carolina Derivi - 20/04/2011 às 13:25
Não sou guru de finanças, mas tenho uma dica quente: que tal uma taxa de retorno de quase 200% em apenas dois anos, sem risco, sem especulação? Esse investimento existe e se chama eficiência energética. Foi isso que conseguiu realizar a empresa canadense Veriform, fabricante de aço, entre 2006 e 2008. Os US$ 46 mil gastos em medidas de eficiência, como substituição de equipamentos, passaram a render uma economia US$ 90 mil por ano em contas de eletricidade.Esse é apenas um exemplo pinçado pelo articulista Jon R. Luoma para o site Yale360. Mas no mundo inteiro não param de surgir estudos que ressaltam essa solução surpreendente. Segundo a gigante consultoria McKinsey, por exemplo, os Estados Unidos poderiam reduzir o consumo de energia em 20% em apenas 10 anos.
No debate sobre sustentabilidade, estamos obcecados com novas fontes de energia futurísticas, mas há muito que se pode fazer com alternativas e tecnologias conhecidas desde as crises do petróleo nos anos 1970.
A pergunta inevitável é: por que diabos tantas empresas e indivíduos ainda não acordaram para providências tão simples quanto trocar uma lâmpada? A resposta aponta para uma conclusão que eu, particularmente, adoro, porque é óbvia e ao mesmo tempo obscura. Seres humanos não são tão racionais e ponderados quanto se imagina!
Algumas justificativas podem ser perfeitamente aceitáveis. Falta de informação, falta de capital disponível para o investimento inicial ou pura falta de interesse. Um proprietário de imóvel alugado pode não querer investir em eficiência que vai apenas beneficiar seu inquilino. O inquilino, por usa vez, pode não querer investir num patrimônio que não é seu.
Entretanto, a nova psicologia econômica revela que, em geral, as pessoas simplesmente não gostam de ter trabalho, não gostam de mudança (qualquer mudança gera estresse), estão ocupadas demais e, mesmo convencidas do melhor caminho, costumam protelar.
Um desafio que me parece super interessante para psicólogos e demais estudiosos do comportamento humano é descobrir as formas de tornar a escolha consciente o mais simples e inerte possível. O poder de governos como indutores do mercado é também essencial. Após estabelecer padrões rígidos de eficiência para bens industrializados, nos anos 1980, a Califórnia viu o seu consumo energético estacionar, enquanto a economia do estado dobrou.
No radar das novas tecnologias, as de informação podem ajudar muito no dilema energético. O smart grid, ou sistema inteligente, permitiria a troca de informações entre todos os elos da cadeia (produtores, distribuidores e consumidores). O conhecimento do consumo de energia em tempo real possibilitaria adequar a oferta à demanda, e assim produzir menos energia, em lugar de manter as usinas geradoras sempre no ritmo de segurança mínimo. Consumidores com acesso às suas informações em tempo real na internet poderiam ter mais controle sobre os gastos e até pagar menos pela energia consumida fora dos horários de pico.
Tudo isso é eficiência, quase um sinônimo de inteligência. As possibilidades estão todas aí, no presente, mas a nossa impaciência precisa se acostumar com o fato de que nem sempre a inteligência prevalece.
Foto: Paulo Colacino / Via Fotopedia /Creative Commons
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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