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Manejar e deslanchar Carolina Derivi - 21/10/2010 às 11:08
O ritmo do desmatamento cai e a gente comemora. Mas lá no Norte do País é comum a chiadeira pela derrocada da indústria madeireira e consequentemente seus empregos. Será que não dá pra compatibilizar a manutenção da floresta com uma economia sustentável?
O Imazon lançou uma beleza de estudo na semana passada com todos os dados possíveis e imagináveis sobre o setor florestal na Amazônia e deixa claro esse descompasso entre meio ambiente e economia. De 2004 a 2009, exatamente quando os índices de desmatamento apresentaram queda mais expressiva, a indústria madeireira retraiu em 42%. Apenas o estado de Roraima registrou um leve aumento na geração de empregos.
É muito comum ouvir esse tipo de comentário: "pô, não querem que desmate a Amazônia, mas aquele povo lá vai viver do quê?". Mas sabe quanto representa a exploração madeireira em relação à população economicamente ativa da Amazônia? 2%. Além disso, a relativa informalidade do setor e a falta de capacitação técnica penalizam os próprios trabalhadores que extraem madeira de menor qualidade e, sem capacidade de atingir os mercados consumidores, vendem suas toras a atravessadores a preço de banana.
O diagnóstico do Imazon é que faltam profissionais capacitados em manejo florestal. O manejo, além de ser ambientalmente preferível porque garante a continuidade da floresta, ainda é melhor negócio. Com a técnica adequada, a exploração tem um custo menor por tora (12%), reduz o desperdício em dois terços, causa a metade dos impactos sobre o solo florestal e sobre as árvores que seriam colhidas no segundo ciclo de corte e reduz em 36% o carbono emitido.
Dá pra gerar mais empregos e mais valor agregado com menos impactos. E já que está na moda fazer propostas verdes aos presidenciáveis, aqui vai a minha: centros de excelência para formação em manejo florestal na Amazônia já!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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