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O incrível duelo do ruim contra o menos pior Carolina Derivi - 16/06/2010 às 12:47

É para deixar qualquer simpatizante verde coçando a cabeça. Ao que tudo indica, a agricultura intensiva, tomada de fertilizantes químicos e pesticidas, foi uma excelente opção histórica que reduziu as emissões de gases de efeito estufa. Não tivéssemos vivido a chamada “revolução verde”, o mundo teria convertido muito mais florestas em plantações, o que teria agravado as mudanças do clima.

A conclusão é de um estudo da Carnegie de Washington, publicado na revista PNAS, como explica o José Eduardo Mendonça no Planeta Urgente.

E agora, José? Todo ambientalista precisa entoar cânticos de amor aos agrotóxicos? Os últimos tempos têm sido repletos dessas saias justas em polêmicas ambientais. Vocês conhecem essa conversa aqui no Brasil. Contra o aquecimento global, apóie Belo Monte, por exemplo. O mesmo vale para a energia nuclear, uma bandeira histórica do movimento ambientalista que hoje começa a levantar questionamentos inclusive no próprio movimento.

Eu já escrevi aqui que tem gente de peso defendendo a mudança do clima como única e incontestável prioridade, em nome da qual todos os outros pontos dessa variada agenda do meio ambiente poderiam ser sacrificados. Não chega a ser um argumento absurdo. Mas como seria esse mundo em que todos os ricos debates sobre desenvolvimento sustentável se resumiriam a um cálculo de carbono?

Eu imagino que seria como o Golfo do México. Para conter o que se acredita ser um mal maior, milhões de litros de dispersantes químicos estão sendo despejados no oceano para solidificar o óleo. Ninguém sabe no que isso vai dar, os efeitos colaterais são apenas imagináveis.

Tem qualquer coisa de perversa a suposição de que poderíamos emporcalhar o mundo com agrotóxicos se isso resultasse em proteção às florestas. A Monsanto seria então o paladino do meio ambiente. Mas nada é tão simples como a gente gostaria. Uma notícia recente dá conta de que os super pesticidas estão gerando super ervas daninhas, que vão demandar ultra mega pesticidas em dobro. Isso não tem fim…

Bom mesmo era quando o mundo se apresentava menos complexo. Mas esse tempo, aparentemente, acabou.

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Comentários

17/06/2010 às 08:32 Anonymous - diz:

Gabriel Takahashi – diz:Bom dia, primeiramente gostaria de parabenizar a forma como você trata este assunto. Sendo a forma de fazer as pessoas pensarem e não apenas aceitar como a mídia retrata os fatos. E em relação a este último assunto, gostaria só de falar que nada ao extremo é bom. Não adianta querer sempre vencer com algo mais forte, pois sempre a natureza vai começar a se acostumar com os tóxicos que vai gerar algo mais forte para a própria proteção. É algo que não vai ter fim nunca, apenas quando começar a criar um limite para o crescimento global. Bom mais uma vez, parabéns pelo artigo.

17/06/2010 às 09:24 Anonymous - diz:

Denise – diz:Realmente, eu, como leiga, fico confusa. Mas e a poluição que os agrotóxicos causam nos rios? E a proliferação de algas desordenada que causam os fertilizantes? Tudo isso foi pesado? Os danos à saúde? É impossível mensurar… eu desconfio desta pesquisa…

18/06/2010 às 08:16 Anonymous - diz:

Gabriel Takahashi – diz:Concordo com você Denise, nada disso é mensurável, todos sabem o mal que os agrotóxicos causam ao planeta. Mas acredito que aqui nínguem esteja defendendo ou atacando os agrotóxicos, só acho que nunca vai existir um equilibrio. Todo mundo sempre quer vencer.E só para completar, essa é uma mera opinião minha, de quem não entende nada.

23/06/2010 às 06:03 Anonymous - diz:

Alexandra Viegas Abreu – diz:Há um proverbio que diz «Do mal o menos», e de facto, parece que entre duas opções estamos sempre condenados a escolher a menos má, já que a solução perfeita não existe. Julgo porém que nas nossas sociedades isto tende a suceder porque vivemos sem reflectir no longo prazo e as escolhas são feitas sempre com a visão do curto prazo, e quase sempre tendo em vista o lucro fácil. O desenvolvimento e a sustentabilidade podem ser compativeis se tivermos Imaginação para mudar o nosso ‘modus operandi’, caso contrário teremos a Estagnação nas questões ambientais e climáticas, como diz o video http://www.youtube.com/watch?v=XBYeDr25WGY

23/06/2010 às 16:26 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:Veja, alexandre, nesse caso é o longo prazo que está estrangulando o curto prazo. A ideia seria mais ou menos essa: para evitar a piores mudanças climáticas do final do século e além, ainda bem que temos os agrotóxicos, que estão envenenando a nós e ao meio ambiente hoje. Na verdade, não me parece que essa indústria tenha qualquer interesse em combater a mudança do clima. Mas quanto mais esse tema aparece, mais se pode usar o discurso ambiental para defender outros interesses. O irritante é que é dificil contra-argumentar… Obrigada pela visita! Abs

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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