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Impacto ambiental na ponta do lápis Carolina Derivi - 14/12/2011 às 15:34
Até pouco tempo, nenhum diretor de sustentabilidade permitiria uma coisa dessas em sã consciência. Mas eis que no apagar das luzes de 2011 surge a maior inovação do ano no campo da responsabilidade socioambiental corporativa. A multinacional alemã Puma calculou e tornou público o tamanho do prejuízo que sua cadeia de negócios causa ao meio ambiente, em termos financeiros. O saldo: € 145 milhões, com base no ano de 2010.
A iniciativa é inédita no mundo corporativo e eleva os critérios de transparência para um novíssimo patamar. É uma conta a ser paga não por quem causou o prejuízo, mas por cidadãos e governos de todo o mundo, nos locais onde se instalaram as operações da companhia. No caso da Puma, 94% desse total tem origem na rede global de fornecedores, responsáveis pela produção de couro, borracha e algodão.
Mas por que uma companhia chegaria ao ponto de divulgar esse gigantesco pendura, escancarando seu próprio telhado de vidro? Eu fiquei bem entusiasmada. Primeiro, porque é um instrumento sem igual para que a empresa tenha a dimensão do problema e comece a tomar as medidas necessárias para reduzir a sua pegada, amparada por um compromisso público agora inescapável.
Segundo, porque nos ajuda a ter a dimensão desse bode na sala, as chamadas “externalidades”, custo de um impacto ambiental que gera lucro às empresas, mas que fica como um legado nefasto para toda a sociedade. Desde que li a notícia, não consigo tirar esse número da cabeça. Cento e quarenta e cinco milhões de euros. O que aconteceria se todas as grandes corporações do mundo fizessem o mesmo cálculo? A que dimensão estratosférica o saldo chegaria? E que impacto esse número teria sobre a opinião pública?
Está aí um belo chute inicial para essa discussão tão importante. Para a Puma, fica uma jogada de mestre para promover a credibilidade da companhia junto ao seu público consumidor, a chance de lançar um efeito cascata do bem sobre sua cadeia produtiva e a influência certeira sobre a concorrência. Atenção maquiadores da sustentabilidade, dedicados a divulgar apenas as noções vagas daquilo que aparentemente pega bem. Tudo que vocês acreditam está errado.
Foto: Charles Taylor
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14/12/2011 às 19:50 Geraldo Varjabedian - diz:
Jogada de marqueting ou não, não é vejo nada amoroso ou transparente como parece.
O que era peito largo da iniciativa privada, a tal liberdade de correr riscos e investir, a ousadia de apostar e, portanto, fazer jus ao lucro, agora torna-se um caminho solidário que transcende a simples pesquisa de intenção de compra, para uma aposta na reversão da crescente consciência ambiental em ganho, vejam só….
Não é o caso de deixar de consumir por que há um passivo monstruoso em jogo, ao contrário…
Saíram na frente, sim. Mas é bom perguntar: por quê? É para ganhar credibilidade ou garantir uma nova espiral da mesma ilusão?
As corporações farão o que puderem para dividir o “bode” da sala com o consumidor e incluí-lo na logística reversa que, inevitavelmente, vem aí para corroer lucros.
Simples assim: – caro consumidor, para fazer seu produto querido ou modificá-lo para atender ao novo mundo que vem aí, além de toda a cadeia que você sustenta, ainda vai custar isso tudo! Você já paga. E se não sabia, vai continuar pagando…E vamos reduzir isso , e aquilo e blá, blá e blá, como prova de que realmente buscamos a sustentabilidade…Mas só queremos que você, consumidor, continue nosso sócio na tragédia socioambiental.
O de sempre, privatizar ganhos, socializar prejuízos…
14/12/2011 às 23:23 Yara Cintra - diz:
A Puma está de parabéns! Trabalho com contabilidade socioambiental e, mesmo sendo um primeiro chute no que diz respeito ao valor informado, já que as metodologias para determinar esse valor ainda são precárias, é um gesto muito importante e inovador!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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