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Imitando a natureza tiago - 02/05/2011 às 11:42
O leitor pode ter reparado que eu gosto muito de ideias e projetos que se inspiram na natureza. Acho que é um exercício de humildade legal. Afinal, a humanidade deposita tanta fé na ciência e na tecnologia, mas se esquece que a biosfera tem bilhões de anos a mais de conhecimento acumulado.O próximo livro da minha fila de espera das letras é Agenda for a New Economy: From Phantom Wealth to Real Wealth , de David Korten. O argumento do livro é que a economia deveria funcionar da mesma forma que os sistemas vivos do planeta. Ou seja, tudo interligado numa coisa só, mas com sustentabilidade local.Cada ecossistema de pequena escala tem uma intrincada rede de relações que lhe permite produzir toda energia necessária à sua sobrevivência e absorver os detritos resultantes. Nada sobrevive isoladamente, porque a vida só acontece em rede, mas todo micro-sistema tem lá o seus esquema independente. A Amazônia não empurra os seus problemas para o Cerrado, sabe como é? Quem faz isso somos nós e nossa pauta econômica estreita: soja e boi, soja e boi, soja e boi.É por isso que diversidade é tão importante para a vida na Terra e deveria ser também para a economia. O que Korten faz é uma crítica madura da globalização. Como a gente faz para aproveitar o melhor do mundo interligado, mas ainda assim permitir que cada bairro, cada comunidade seja uma fonte viva de criação e participação nesse sistema planetário?E eu adoro a globalização que me permite conhecer e consumir o que outras pessoas fazem pelo mundo afora. Meu principal hobby no últimos anos, por exemplo, tem sido experimentar novas cervejas. E o cardápio nunca chega ao fim. Mas não gosto da globalização que ameaça a diversidade do meu bairro, fruto de um sistema global de competição predatória que acaba gerando campeões iguaizinhos em toda parte. Shopping Center é um bom exemplo dessa homogenização e por isso são chamados pelos urbanistas de não-lugar. São todos iguais, assim como outras cadeias de lanchonete, livrarias, hiper mercados, etc.Se uma arvorezona cresce tanto que outras plantas não tem mais acesso à luz solar, a turminha de baixo provavelmente vai minguar e, se isso chegar ao extremo, a própria arvorezona pode acabar morrendo sem ter com quem trocar energia e serviços ambientais.Na dimensão socioeconômica da nossa vida, o desafio é o mesmo. Uma cidadezinha que depende de uma única fábrica, ou de uma única cultura agrícola (e chama isso de desenvolvimento) nunca deixará de ser pobre e vulnerável a menos que descubra o que só ela pode oferecer ao mundo, fruto de sua própria diversidade humana e biológica.ver este postcomenteFoto: Reprodução
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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