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Imitando a natureza 2 tiago - 11/05/2011 às 11:24

Na semana passada eu falei sobre como a biosfera (ou seja, o sistema que interliga tudo que é vivo) poderia oferecer bons conselhos aos sistemas econômicos. Uma floresta tropical é o que é porque cada serzinho na sua imensa biodiversidade tem um lugar e um papel a desempenhar. 
Agora olhe para a pauta econômica da Amazônia: minério, energia, madeira e agropecuária. Acabou a lista. Será mesmo que um lugar cuja diversidade humana é tão notável quanto a biológica só tem isso a oferecer? E será que essa receita commoditizada não é precisamente a razão pela qual pelo menos a metade da população da região Norte continua pobre de marré, marré, marré?
Pense nisso e retome a história da arvorezona que contei no post anterior.
O que ainda não contei é que a sugestão de David Korten, economista e professor de Harvard, para dar um up nas economias locais é equilibrar um pouco a competição com a colaboração. De novo, é um conselho inspirado na própria Natureza. Os seres vivos se matam, se trucidam, mas se ajudam também, às vezes simultaneamente.
Claro, o discurso de Korten não é exatamente novo. Um monte de gente já se deu conta que a colaboração pode mover montanhas (salve internet!) e que as pessoas não são obrigadas a seguir as regras do jogo econômico tradicional. Quem foi que disse que só o dinheiro papel-moeda tem valor? Se o dinheiro é uma convenção, por que a gente não pode convencionar outra coisa? Pronto, nascia assim a proposta da economia solidária.
Korte argumenta que mesmo que mesmo uma comunidade pobre de ativos tradicionais pode sair dessa enrascada se tiver alto capital social. Capiltal social é o conjunto de riquezas geradas pelas relações entre as pessoas. Ou seja, quanto mais coesão e articulação, mais resiliente uma sociedade se torna. E olha o paralelo com a natureza de novo aí, gente. Os animais e as plantas sobrevivem porque eles se relacionam. Não estão encapsulados, cada um por si e Deus por todos.
Para ilustrar a ideia, quero destacar aqui dois projetos na linha do “façam vocês mesmos!” que conheci recentemente e são demais. Um é o movimento Boa Praça. A galera arregaça as mangas, restaura os espaços coletivos do bairro e colhe frutos, por que um conhece o outro, um ajuda o outro e daí podem surgir novos projetos, novos negócios, enfim, o céu é o limite.
O outro são os projetos Osasis, do Instituto Elos. A proposta é melhor a vida de uma determinada comunidade a partir de recursos locais, materiais e humanos. Apenas essa mudança de foco, de olhar para a abundância e não para a escassez já faz uma enorme diferença. Nas comunidades atingidas pelas chuvas em Santa Catarina, por exemplo, o pessoal descobriu que podia reconstruir casas e pontes usando a madeira e o barro que despencou dos morros. Legal, né?

Foto: Ana Araújo

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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