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Geração meio ambiente Carolina Derivi - 09/11/2011 às 16:00
Uma pesquisa nos Estados Unidos sobre as diferentes gerações e suas ideias sobre sustentabilidade confirmou algo de que já se poderia desconfiar. Quanto mais jovens os entrevistados, mais progressistas as opiniões.
A geração Y, dos nascidos a partir de 1980 e poucos e na qual se inclui esta blogueira, registrou acachapantes 71% a favor do desenvolvimento de energias alternativas renováveis, contra 25% defendendo a continuidade da exploração de petróleo, carvão e gás. Essa marca é seguida de perto pela geração X (o pessoal que tem entre 35 e 55 anos hoje, grosso modo), com o resultado de 69% a 24%.
A diferença se achata um pouco mais passando pelos baby boomers e chega à chamada geração silenciosa, aquela dos nascidos antes da Segunda Guerra Mundial, com o placar mais apertado: 47% a favor das novas energias e 40% contra.
A reportagem do site Grist levanta, é claro, a pergunta que não quer calar. Quando se trata de sustentabilidade, e de outras bandeiras inovadoras do século 21, como direitos civis LGBT, precisamos esperar que nossos predecessores mais antigos deixem este mundo para poder colocá-lo nos eixos?
Tenho certo arrepio das insinuações de que idosos e inovação não se bicam. Principalmente porque sei que, se tudo der certo, velha serei eu um dia. E acho que a sensação de exclusão no final da vida deve ser um horror. Além disso, outra boa pergunta inevitável é se os jovens tão arejados de hoje não se tornarão automaticamente conservadores quando a idade avançada chegar.
Mas o que quero ressaltar aqui é outra coisa. Mesmo entre os idosos da pesquisa em questão, quase a metade deles consegue enxergar a direção do futuro. E no cômputo final das gerações combinadas, 63% se posicionam desta mesma forma contra 29%. E assim tenho visto diversas pesquisas em diferentes partes do mundo que mostram que a opinião pública está, afinal, do mesmo lado. Aqui no Brasil, basta a gente lembrar dos resultados da pesquisa Datafolha sobre a proposta do novo Código Florestal.
Então, a grande pergunta, a mais inconveniente, a que paira sobre todas as anteriores, é esta: como faremos para que nossos governantes e representantes eleitos tomem as decisões que queremos que eles tomem e sigam a direção dos nossos desejos coletivos?
O que há não é tanto um abismo de gerações quanto um abismo de poder, participação e representatividade. É engraçado que entre tantos movimentos modernosos, a pauta que se eleva de forma central seja a da milenar democracia reavaliada, e, em sentido mais amplo, a governança que queremos neste mundo que já não cabe mais em si mesmo.
Foto: Laurence Simon
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13/11/2011 às 20:07 Elizabeth - diz:
Tenho 65 anos e penso exatamente igual a vs com relação à questão abordada aqui e acho que o caminho para termos mentes abertas e perspectivas de futuro ecologicamente corretas, à medida que a idade avança, é estarmos envolvidos com o plano divino. Não acredito que “Deus” criou este planeta incrível e todo o resto do universo para que isso fosse usado como um brinquedo nas mãos das criaturas e quando cansássemos da brincadeira simplesmente jogássemos fora este brinquedo como algo descartável. Também acho que hoje, com a tecnologia, estamos mais antenados com tudo. Muitas das pessoas mais velhas não lançam mão dessa tecnologia para se atualizarem e continuam vivendo como a 80 ou 90 anos atrás, aonde não viviamos situações como as atuais. E quanto às “governanças”…….não tenho o que comentar. Deixo este abacaxi pra vs que são mais jovens. Abraços
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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