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Sem os gatos, os ratos fazem a festa Carolina Derivi - 16/12/2009 às 17:06
A turma do Observatório do Clima (coligação de ONGS e empresas) conseguiu tirar um coelho incrível da cartola. Convenceu a ministra Dilma a ligar para o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para suspender a votação de reforma do Código Florestal prevista para hoje.
Isso aconteceu durante uma reunião das ONGs com a ministra, ontem, em Copenhague, sobre o mecanismo REDD (redução de emissões por desmatamento e degradação).
Foi por pouco… A tal reforma, que tem como carro chefe o PL 6426/2005, estabelece, entre outras coisas, a possibilidade de reposição da reserva legal com espécies nativas e um liberou-geral quantos aos limites das áreas de preservação permanente, que ficariam a cargo dos poderes locais.
Os ruralistas, claro, não podiam perder essa oportunidade dourada: mudar tudo que eles têm vontade enquanto todos os opositores estão em Copenhague e a opinião pública já está com um pé em 2010 e não tem mais paciência para os desmandos de Brasília.
Não sei como os ongueiros conseguiram essa façanha… Talvez tenham argumentado o óbvio: que não dá para garantir a nova roupagem ambiental da ministra na COP15 enquanto, em casa, o governo faz vista grossa ao desmonte da legislação ambiental.
Dezembro ou não, ninguém é idiota. Não existe qualquer possibilidade de esse governo ficar bem na fita ambiental se essa reforma for aprovada na medida dos sonhos do agronegócio.
Por outro lado, lembrei-me de uma entrevista que fizcom Luiz Gilvan Meira Filho, astrofísico da USP, e um dos responsáveis pela criação do Protocolo de Kyoto. Ele dizia que acordo bom sobre o clima seria aquele em que todo mundo saísse um pouco insatisfeito, mas ninguém muito mais insatisfeito que os demais.
Isso significa que um acordo sensato depende de todos os países cederem uma parcela negociável de seus interesses. Eu digo o mesmo sobre a celeuma do Código Florestal. Espero que, em 2010, as principais cabeças ambientalistas se unam aos seus parlamentares simpatizantes para formular, eles mesmos, um projeto de reforma do Código Florestal que fortaleça as regras indispensáveis, mas que também acomode agrados (com justiça) aos proprietários rurais.
Como diria o meu sogro: não pode ser tão difícil assim…
ver este postcomente
26/12/2009 às 15:45 Anonymous - diz:
Evandro Rodrigues – diz:Neutralizar emissões de carbono é um dos MAIORES ENGODOS já criados quando o assunto é meio ambiente.De que vale uma empresa dizer que vai NEUTRALIZAR suas emissões de carbono? NEUTRALIZAR significa dizer que a empresa anuncia: “Vejam, não sou responsável por mais este tanto de carbono lançado na natureza!”Meu Deus! Gente, não adianta mais falar que “eu não estou fazendo nada para piorar”, pois é exatamente isto que quem NEUTRALIZA EMISSÕES DE CARBONO FAZ: simplesmente não piora o meio ambiente….Mas raciocinemos pelo amor de Deus (de novo): o estrago está feito! Temos então de NEGATIVAR AS EMISSÕES! Isto mesmo, precisamos tentar tirar além do que jogamos no ar…Para aqueles que entenderam o recado ajudem a plantar a ideia do CARBONO NEGATIVO
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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