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Fundos ambientais: aprender com a África Carolina Derivi - 17/08/2011 às 13:51

Agora que o Governo Federal retomou a discussão sobre um mecanismo nacional de REDD+ (financiamento para proteção de florestas) nada melhor que dar uma olhadinha em experiências similares que já estão em curso no Brasil e aprender com elas.

É por isso que foi uma belíssima bola dentro o estudo do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) que analisa quatro fundos estaduais voltados para o desenvolvimento florestal: dois no Mato Grosso e outros dois no Pará.

O diagnóstico é de chorar. Uma ilustração clara daqueles momentos em que dinheiro não é exatamente o problema, mas também não é solução. O que define o sucesso é o uso que se faz dele. E para isso, transparência é uma prerrogativa chave.

Nenhum dos fundos avaliados publica relatórios financeiros periódicos sobre como os recursos estão sendo investidos. Nenhum deles disponibiliza publicamente as regras e critérios para que os projetos que necessitam de financiamento sejam aprovados, muito menos apoio técnico para os candidatos. Indicadores e metas para poder conferir se os resultados estão a contento? Nem pensar. Aliás, dois desses fundos estaduais sequer informam qual é o caixa total.

Pode ser um chute arriscado da minha parte, mas não consigo deixar de pensar na África e no fracasso do AID internacional, tema que tenho estudado nas últimas semanas. Foram mais de US$ 2,3 trilhões injetados no continente até hoje, como forma de promover o desenvolvimento, com recursos oriundos de países ricos, agências e órgãos multilaterais. Não preciso dizer que o balanço concreto não é exatamente satisfatório.

O principal motivo para esse fracasso, segundo dois dos principais críticos do AID*, é o mesmo problema apontado pelo Imazon e os fundos ambientais brasileiros: falta de transparência e de controle social. De um lado, os contribuintes dos países doadores não sentem necessidade de aferir se o dinheiro está dando ou não resultado. Basta saber que algum está indo para a África, que a consciência fica tranquila. De outro, os beneficiários também não tem o direito de opinar ou reclamar. Afinal, dinheiro doado é presente. E não se olha os dentes…

(*a saber: Dambisa Moyo e William Easterly)

Na Amazônia como na África os objetivos são ambiciosos. Não se trata apenas de salvar vidas (no caso deles) ou de salvar árvores (no caso do Brasil). A ideia no papel é promover desenvolvimento com base em novos paradigmas. Assim, ninguém melhor do que a população que vive da floresta ou investe nela em escala empresarial para avaliar se esse caminho está realmente sendo trilhado. O mesmo vale para as organizações da sociedade civil.

Sem transparência, em ambos os casos, o bem-intencionado dinheirinho corre o risco de se tornar intensamente corruptível ou, na melhor das hipóteses, intensamente preguiçoso.

Imagem: Wikimedia Comons

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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