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Floresta X petróleo Carolina Derivi - 13/01/2010 às 16:14


O presidente do Equador, Rafael Correa, dá sinais de que pode abandonar uma das iniciativas mais inovadoras para a conservação da Amazônia. Por uma dessas ironias divinas, o Paque Nacional do Yasuní, de altíssima diversidade biológica e considerado Reserva da Biosfera pela Unesco, é também o berço de estoque imenso de petróleo, da ordem de 1 bilhão de barris.

Depois de décadas de altíssima controvérsia quanto à exploração do petróleo na Amazônia equatoriana (falei sobre isso aqui), Correa lançou um desafio internacional: deixaria de extrair o óleo e protegeria as populações tradicionais que ali habitam se outros países topassem doar US$350 milhões por ano, durante dez anos.

O governo emitiria então os Certificados de Garantia Yasuní, que poderiam ser negociados no mercado de carbono pelos doadores. Se colocada em prática, essa é uma proposta revolucionária. Seria a primeira vez que o mundo trocaria o super rentável petróleo por floresta, na chamada “reprecificação de ativos” que nada mais é que atribuir valor monetário ao que tem valor real, mas que até pouco tempo se considerava intangível.

Segundo noticiou a Reuters, o ministro das relações exteriores, Fander Falconí, acaba de se demitir. Era Falconí quem estava à frente das negociações com potenciais doadores, como Alemanha e Bélgica. E o motivo segundo o agora ex-ministro são as diferenças com Correa em relação a como o negócio deve ser fechado. O presidente teria dito que as negociações caminhavam de maneira “vergonhosa” e que os outros países estavam tentando “ditar os termos”.

O mais triste é que Rafael Correa havia estabelecido um prazo: se até junho o acordo não estiver finalizado, o presidente diz que vai liberar de uma vez a exploração de petróleo no Yasuní.

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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