BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Ainda Kyoto Carolina Derivi - 22/06/2011 às 17:06
A notícia de hoje no Estadão sobre a intenção do Brasil de salvar o Protocolo de Kyoto me fez lembrar que já começou a temporada de embustes climáticos… O ano está passando tão depressa! Digo embuste, meus amigos, porque precisaremos voltar a enfrentar a realidade de que por trás das imensas divergências entre os países se esconde um único acordo: o da imobilidade.
O ramo dos negócios verdes até que encontra políticas razoáveis mundo afora, mas a compromisso com metas ambiciosas e vinculantes não interessa a ninguém. Exceção feita, talvez, a Tuvalu e demais países insulares…
A teimosia do Brasil de reeditar esse zumbi de protocolo tem o mesmo efeito prático de cruzar os braços. A geopolítica é outra, o século é novo, e nada mais se parece com aquele 1997. Hoje, a soma das emissões dos países pobres ou em desenvolvimento supera a pegada do bloco dos ricos. Certo como a gravidade, é impossível enfrentar a mudança do clima sem compromissos dos emergentes. Pode não ser o historicamente justo, mas as coisas são como são.
Reafirmar os termos de Kyoto significa empurrar a responsabilidade apenas para os detentores de menos de 50% do problema atual. O pessoal do lado de cima do Equador não vai topar, é lógico, encarar a bucha da redução de carbono em tempos de crise enquanto o bloco emergente decola em céus de brigadeiro. Ainda que o fizessem, seria em vão. No longo prazo todos estaremos mortos de calor, de frio, de seca, de enchentes e de todo tipo de cataclisma.
Um novo protocolo, mais adequado aos tempos atuais, permitiria negociar as metas necessárias ao BRIC mediante contrapartidas em termos de financiamento e transferência de tecnologia. Mas isso é aqui no no mundo dos vivos, onde ainda existe o bom senso de gente comum. Já no limbo das COPs, a diplomacia do clima é mais fera em protelar o castigo que advogado criminalista brasileiro.
ver este postcomente
22/06/2011 às 18:47 Anonymous - diz:
Carlos Rittl – diz:Carolinaexcelente texto o seu. Só que há uma peça neste tabuleiro que não irá mover-se até, pelo menos, 2015: os Estados Unidos (em 2015, estarÃamos no 2o. ano de um potencial 2o.mandato do presidente Obama, quando poder-se-ia mudar o quadro no Congresso Americano). Ou seja, concordemos ou não, nenhum paÃs em desenvolvimento irá assumir nada até lá, por mais que argumentos haja para isso, sem que os Estados Unidos estejam a bordo. Por esta razão, Kyoto agora é o que existe, fraco, insuficiente, nada ambicioso. Mas sem ele, aà partimos para um processo de negociação interminável, que não se resolve em 5 anos, durante os quais, vale o vale tudo, ou o quase nada – todo mundo faz o que quer.Atenciosamente,Carlos Rittl do. Ou seja, sem Estados Unidos,
24/06/2011 às 13:50 Anonymous - diz:
Vinicius Cury – diz:Ótimo texto
24/06/2011 às 13:50 Anonymous - diz:
Vinicius Cury – diz:Ótimo texto
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
• A soma de todos os problemas…
• Ombudsman para as futuras gerações
• Código Florestal: presente e futuro
• Rio+20: o racha que vem de baixo
• A economia florestal vai mal
• Desigualdade faz mal à saúde?
• Nas entrelinhas de uma conferência
• O país mais sustentável do mundo
• Sobre dar valor ao que tem valor
• Trabalhar menos para ser sustentável
• Impacto ambiental na ponta do lápis
• A economia e os arreios ambientais
• Ambientalistas gregos e troianos
• Fundos ambientais: aprender com a África
• Para entender o desmatamento
• A Amazônia e seus quatrilhões
• Embu das Artes e o caminho das pedras
• O melhor investimento do mundo
• Na Amazônia não tem efeito Fukushima
• Sustentabilidade by the book
• Debates esquecidos em Belo Monte
• Código Florestal e as enchentes
• Abrolhos não rima com Petróleo
• Adeus ano velho, adeus Código Florestal
• Sustentabilidade dá dinheiro?
• Pensar global, sabotar local
• Moradores ameaçados de despejo no Madeira
• 100 empresas para mudar o mundo
• Munição para debates climáticos
• Código Florestal tem solução
• Amazônia equatoriana abre mão do petróleo
• A morte da lei climática americana
• Código Florestal: a história sem fim
• Campos de morango para sempre
• O incrível duelo do ruim contra o menos pior
• Pizza na legislação ambiental
• Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento
• Vila japonesa encara lixo zero
• A economia pode crescer para sempre?
• Sem os gatos, os ratos fazem a festa
• Entre a mata e o machado, quem vai ceder?
• Brasil, terra de “contradições”
• Menos criança, menos carbono
• Congresso pode extinguir leis ambientais
• MP 458 e a repetição da história
• Nove em cada dez são pessimistas
• Por que aderir à Hora do Planeta
• Licenciamento ambiental for dummies
• O salvamento da crise e do clima
• Cidade quebrada reage na Amazônia
• Ideias infames pra salvar o planeta
• A vida menos verde do vizinho
• Além do que agrada aos olhos
• Reino do gado na terra de ninguém
• Rio Madeira, direito e esquizofrenia
• Pódio para os biocombustíveis