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Fatos Florestais 2010 Carolina Derivi - 05/01/2011 às 15:52

Se houve alguma boa notícia ambiental no ano que passou é que o desmatamento, em todo o mundo, está em franco declínio. Caiu 39% em relação a 2009, segundo relatório da organização Global Carbon Project. E o principal fator nessa conta é puxado pela Amazônia brasileira que há muito tempo não via um saldo de derrubada tão magrinho quanto os atuais. No entanto, até na Indonésia –atualmente o maio desmatador tropical, graças ao apetite mundial por óleo de palma – houve redução.

Parêntesis: alguém poderia argumentar que outros acontecimentos do ano foram mais relevantes, tipo o Protocolo de Nagoya ou o mapa do caminho para o Redd em Cancun, mas eu diria que isso são esperanças. A queda do desmatamento é resultado.

E como todo fenômeno complexo, esse tem uma enorme lista de explicações combinadas. São políticas públicas, preços de commodities, comando e controle, enforcamento do crédito e por aí vai… Talvez a principal novidade recente seja o investimento direto em mitigação das mudanças do clima. Tem gente investindo um dinheiro pesado em florestas para reduzir sua própria pegada de carbono.

A Noruega, por exemplo, mereceria o título de Papai Noel Verde depois de investir US$ 1 bilhão no Fundo Amazônia e também na Indonésia. A Califórnia fechou apoio a 14 estados e províncias em diferentes países, incluindo o amazônico estado do Acre. Isso tudo porque a conservação florestal é a alternativa de maior custo benefício para atingir metas de redução de emissões. Sai por menos da metade do preço de eliminar a mesma quantidade de carbono substituindo combustíveis fósseis.

Mas ainda é cedo para saber se a tendência de queda veio para ficar. Ironicamente, as enchentes e as secas cada vez mais frequentes por conta das mudanças do clima podem fazer disparar o preço das commodities agrícolas e isso é sempre uma ameaça.

Por aqui, eu ando bem preocupada com o avanço inédito de desmatamento no estado do Amazonas. Um pedação de floresta profunda que ninguém desmatava porque não tinha interesse nem acesso agora começa a definhar. E a degradação florestal – aquele desmatamento seletivo que não limpa a terra toda, mas faz um baita estrago – aumentou 548% em novembro passado. É esperar pra ver.

Foto: João Ramid

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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