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A farra no licenciamento Carolina Derivi - 16/03/2011 às 14:16

Vale para tudo na vida. Bom, barato e rápido compõem as três pontas de um triângulo impossível. Pode-se escolher qualquer combinação de duas pontas, mas nunca todas as três. E quem já fez obra em casa sabe do que estou falando. Assim: Bom + rápido = caro. Bom + barato = demorado. Rápido + barato = qualidade ruim.

O tal “choque de gestão ambiental”, denominação do governo Dilma para uma série de decretos que visam flexibilizar o licenciamento ambiental, parece padecer desse paradoxo. É cedo para fazer uma análise completa, já que nem todas as cartas estão na mesa, ainda. Mas os pressupostos estão aí. O objetivo é acelerar e baratear o licenciamento. Alguém aí acredita que dá pra manter a qualidade das garantias socioambientais no País? Sim? Então fique comigo por mais alguns parágrafos.

É perfeita a análise de Rubens Ricúpero na Folha de S. Paulo. Ninguém se opõe, de partida, a medidas de eficiência no licenciamento ambiental. É certo que dá para melhorar. Mas lembremos do triângulo paradoxal. A demanda por licenças ambientais aumentou 570% na última década. A posição da presidência do Ibama é que seria necessário pelo menos dobrar os quadros. Mas o “choque de gestão” não prevê nenhum investimento no próprio Ibama. Mais uma vez, a escolha é: rápido e barato.

O setor privado tem o mesmo problema. Recentemente, o Ibama começou a devolver projetos que, de tão ruins, não poderiam nem começar a ser analisados. É o resultado dos “rápidos e baratos” no concorrido mercado de consultorias que vendem estudos de impacto ambiental.

Disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira:“Não é diminuir exigências. É rever quais informações são relevantes para o licenciamento”. Mesmo? Pois no final do ano passado, a mesma ministra revogou a obrigatoriedade, para termelétricas, de compensar integralmente suas emissões de carbono. As térmicas voltaram a ser rápidas e baratas, graças a uma ficção. Quem paga o custo real das conseqüências da eletricidade suja é toda a sociedade. A qualidade vai para a degola.

E assim segue a fieira de medidas unilaterais que devem alcançar ainda estradas, hidrovias, linhas de transmissão, petróleo. É difícil entender, conforme diz Ricúpero, como um partido com tamanha tradição participativa decide isso a portas fechadas, em gabinetes a que só o lobby econômico tem acesso.

Participação, consulta, debate…. essas coisa levam tempo. O negócio é choque de gestão! Abre-se mão da expertise dos atores sociais, ONGs e academia, e se esquece que a tolerância com o tempo poderia abrir as portas do bom. E do barato, inclusive.

Foto: Antonio Milena

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Comentários

27/03/2011 às 23:27 Anonymous - diz:

Pedro – diz:Falou e disse, Carolina.

27/03/2011 às 23:28 Anonymous - diz:

Pedro – diz:Falou e disse, Carolina.

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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