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Falando em comida… Carolina Derivi - 03/08/2011 às 14:33
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Quando o placar marcou 410 votos a 63 naquele fatídico 25 de maio, em que a Câmara dos Deputados aprovou o novo Código Florestal, muita gente lamentou a ausência de propostas na linha de pagamento por serviços ambientais. Tivessem os produtores rurais algum tipo de estímulo financeiro para conservar, talvez o resultado tivesse sido diferente…
Agora, em meio à crise dos alimentos, a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação* acaba de lançar um relatório que mapeia diferentes modelos de PSA ao redor do mundo. O documento relembra um princípio que anda bastante esquecido aqui no Brasil ou, pelo menos, em Brasília: toda agricultura depende de serviços ecossistêmicos críticos, tais como formação do solo, controle de erosão, atividade de micro-organismos, dispersão de nutrientes, purificação da água, precipitação constante, estabilização do clima, polinização e controle de pragas.
Como essa lista enorme de benefícios, eu sempre me perguntei por que é tão difícil convencer uma parte dos representantes do agronegócio da importância de conservar. A resposta pode ser a característica mais perversa da degradação ambiental, apontada pela FAO: os principais prejudicados são sempre os produtores mais pobres. os ricos têm o necessário capital financeiro e social para acessar recursos escassos ou seus substitutos, diz o estudo.
Já que, pela lógica reinante, é preciso pagar para conservar, o mapeamento de iniciativas da FAO é um cabedal de boas ideias. Na Tanzânia, as práticas agrícolas tradicionais estavam aumentando muito a erosão nas montanhas Uluguru e, consequentemente, a qualidade da água na região mais úmida daquele país. Um convênio entre as organizações CARE* e WWF* oferece treinamento e pagamento para que os agricultores tomem medidas de prevenção à erosão o que acaba também aumentando a produtividade. Naquela parte da Tanzânia, mais de 30% das pessoas vivem com menos de US$1 por dia.
Um dos meus favoritos é o sistema nacional de pagamento por serviços ambientais estabelecido na Costa Rica, já em 1996, época em que quase ninguém conhecia essa alternativa. Os dados da FAO mostram uma correlação direta entre as áreas que foram preservadas ou reflorestadas e a diminuição da pobreza, embora os autores também façam sugestões de melhoria ao modelo costa-riquenho.
Conclusão: no Brasil, que também já tem seus projetos locais, como o Programa Produtor de Água, o PSA até poderia ser uma argumento capaz de agradar a grandes ruralistas. Mas o maior potencial desse tipo de iniciativa é melhorar a vida do pequeno agricultor com sustentabilidade ambiental. Não seria nada mal ter a imensa maioria dos homens e mulheres do campo – pequenos e médios produtores – do lado certo nesse entreveiro chamado Código Florestal.
Foto: Gotas de orvalho, de Hagit
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23/02/2012 às 21:53 Nas entrelinhas de uma conferência - Eco Balaio - diz:
[...] falei sobre isso aqui no blog muitas vezes. (Veja em “Floresta boa é…”, “Falando em comida” e “Pobre demais para ser [...]
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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