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Façam suas apostas Carolina Derivi - 02/06/2010 às 13:02
Um site de apostas irlandês criou a categoria "BP Special Bettings" e está aceitando palpites sobre qual será a primeira espécie a entrar em extinção em decorrência do vazamento de petróleo no Golfo do México.
O mau gosto pode parecer patente, mas não consigo deixar de reconhecer que o criador do site que leva seu nome, Paddy Power, têm razão quando diz que a extinção de algum tipo de animal ou vegetal é uma aposta certa. Especialmente depois que a empresa British Petroleum admitiu que a contenção do vazamento pode chegar só depois da Copa.
"Nós esperamos que esse jogo lance luz sobre a iminente catástrofe ambiental que se desdobra como resultado do vazamento causado pela BP. Que perderemos algumas espécies é uma aposta certa. Resta saber quais. É o que teria dito Power em press release distribuído para a imprensa.
Vocês acham que esse tipo de jogo, conhecido como pop culture gaming, ajuda a firmar a consciência sobre desastres ambientais, apesar de politicamente incorreto? Consideremos a máxima do mundo das apostas, segundo a qual a casa sempre ganha. A cotação para os dois favoritos, a tartaruga kemps ridley e o atum azul, parece reveladora.
A primeira, que por trágica ironia costuma migrar para o Golfo do México justamente nessa época do ano, está valendo US$ 4 para cada US$ 5 apostados. Ou seja, nenhuma possibilidade de retorno. O Atum, que já sofre com a pesca excessiva, sobretudo no Japão, vale US$ 6 para US$ 4. Aparentemente, o site considera que ambos, possivelmente, estão com os dias contados.
Aí me lembrei que essa não é a primeira vez que os dramas ambientais entram para o mundo das apostas. Lá em 2007, bastou o IPCC lançar o seu relatório com o pior prognóstico até então, para o site americano Betus.com (que normalmente se dedica a esportes e corridas de cavalo) inaugurar uma categoria ligada ao aquecimento global. Os usuários puderam arriscar seus dólares em desfechos como "os ursos polares serão extintos até 2010" ou "Manhattan estará submersa até 31 de dezembro de 2011".
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Trágico. Mas é como é.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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