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Etanol pela culatra Carolina Derivi - 24/11/2010 às 15:51
E não é que Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana (UNICA) foi pedir ao presidente Lula que intervenha para viabilizar o novo Código Florestal, de Aldo Rebelo, ainda esse ano? A informação é do Valor (aqui só para assinantes).
Pára tudo. Não consigo entender que tipo de avaliação estratégica tem a UNICA na hora de fazer um pedido desses. Não é preciso ser um analista tarimbado para notar que o fator meio ambiente é crucial para o sucesso do etanol. Energia renovável + baixa emissão de poluentes é o que dá sentido à aventura do biocombustível brasileiro. É a máxima cartada, a jóia da coroa.
Mas esse atributo vai às favas se a proposta do novo Código for aprovada tal como está. O máximo que a industria da cana ganha com isso é a possibilidade de avançar o plantio sobre novas áreas. Áreas de vegetação nativa. Será que eles acham que ninguém vai perceber?
O movimento de desconfiança quanto aos biocombustíveis é bem organizado e envolve uma improvável combinação de ambientalistas mais preocupados com a própria indústria do petróleo interessada em debilitar a concorrência. Tem muita gente de olho. O Brasil já foi ultrapassado pelos EUA, maior exportador mundial de etanol, e ainda encara o nada mole desafio de emplacar a tecnologia dos motores flex para além do território nacional.
O risco da conversão de florestas nativas é a maior pedra no sapato do etanol. Apoiar um projeto de lei que reduz áreas de preservação permanente e reservas legais é um tiro no pé. No mínimo, uma péssima decisão de relações públicas.
Que o Código Florestal precisa ser modificado, e sobretudo modernizado, ninguém duvida. Mas apoiar um projeto que já causou tanta repercussão negativa, francamente, que papelão!
E no mesmo dia, o Observatório do Clima lançou um relatório preliminar que indica que as modificações propostas da legislação ambiental podem, no pior cenário, liberar carbono equivalente a 13 vezes o que o País emitiu em 2007.
ver este postcomente
24/11/2010 às 20:16 Anonymous - diz:
Mario Bahia – diz:CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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