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Para entender o desmatamento Carolina Derivi - 10/08/2011 às 12:39

A taxa de perda florestal na Amazônia se parece muito com os índices das Bolsas de Valores. Sobe, desce, oscila, flutua, e a maioria das pessoas fica sem saber direito o que isso significa. Vou arriscar aqui algumas referências que podem ajudar o leitor a analisar o quadro e a formar opinião.

Quanto desmatamento é muito desmatamento?

Foi amplamente noticiado nas últimas semanas que o sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registrou um aumento que já supera a marca do ano passado. Como muita gente sabe, o DETER não é o responsável pelas taxas oficiais, mas anuncia uma tendência que normalmente se confirma nos dados consolidados do PRODES (esse sim, o oficial) que só devem ser anunciados no final do ano.

Superar a taxa do ano passado (6.451 km²), a mais baixa de toda a série histórica, pode ser considerado pouco, dependendo da régua que se usa. Já houve um tempo em que um índice anual de mais de 20 mil quilômetros quadrados não surpreendia ninguém.  Se o registro de mantiver abaixo dos 7.500, ainda assim será a segunda menor da História.

Mas acontece que o parâmetro mudou. O governo brasileiro se comprometeu, em decreto, a reduzir em 80% o ritmo de desmate (em relação à média verificada entre 1996 e 2005). Será preciso manter a média em torno dos 4 mil para cumprir o prometido. Assim, atualmente, a ambição é muito maior e a cobrança também.

Por que aumenta e por que diminui?

Como em todo fenômeno complexo, são muitos os fatores que influenciam o desmatamento na Amazônia. O que estamos observando com essa tendência de alta são os mesmos velhos vetores de sempre como, por exemplo, o aumento do preço dos alimentos.

Há também uma explosão acentuada na área de influência das usinas da Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e Belo Monte, no Pará. Até os bagres da Amazônia sabiam que isso ia acontecer e, como sempre, não houve planejamento. Um planejamento chamado regularização fundiária e proteção às unidades de conservação. Trata-se de uma responsabilidade, portanto, primordialmente do governo, tão acostumado (e acomodado) a empurrar toda batata quente para o empreendedor privado.

Mas o que merece destaque é a expectativa de perdão das ilegalidades, motivada pela aprovação no novo Código Florestal na Câmara dos Deputados. Interlocutores do governo adoram desqualificar esse argumento. Dizem que não é possível provar cientificamente por A + B, margem de erro e o diabo a quatro que uma coisa está ligada à outra. Mas não há um único especialista em Amazônia que não observe essa correlação em campo, em conversas com proprietários rurais, associações etc.

Será coincidência que a explosão de desmate em Mato Grosso tenha acontecido na mesma época em que foi aprovado um Zoneamento Econômico Ecológico estadual cheio de brechas e flexibilizações?

Quando o ritmo de derrubada desacelerou consideravelmente nos últimos dois anos, os analistas apontavam como fatores de influência algumas medidas inéditas como o enforcamento do crédito para propriedades ilegais, multas para quem não regulariza reserva legal e a responsabilização de toda a cadeia produtiva (ou seja, um frigorífico pode ser autuado se ficar comprovado que comprou boi de propriedade ilegal). O novo Código vai na contramão dessas medidas.

Foto: desmatamento visto do espaço. Crédito: NASA

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Comentários

12/09/2011 às 14:39 Anonymous - diz:

Samysia Barbosa – diz:Olá Carolina. Publicamos o seu texto, com os devidos créditos, no http://www.vivaviver.com.br/consciencia_ambiental/para_entender_o_desmatamento_n a_amazonia/1314/ Caso não aprove a publicação, podemos retirar o conteúdo. Obrigada!

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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