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Embu das Artes e o caminho das pedras Carolina Derivi - 06/07/2011 às 14:32

Na última semana recebi uma mini-enxurrada de emails e contatos nas redes sociais sobre a disputa travada em Embu das Artes em torno do Plano Diretor municipal. A prefeitura propõe instalar um corredor industrial que atravessaria parte da Área de Proteção Ambiental Embu Verde e da Área de Proteção aos Mananciais da Guarapiranga (sim, um projeto que também nos diz respeito aqui na capital, e que merece estudo de impactos sobre o abastecimento de água).

Não me lembro de ter recebido tantas chamadas para um conflito local antes, exceto talvez na sempre visada Amazônia. Portanto parabéns às organizações socioambientais do Embu. Conquistaram a minha atenção e espero que o mesmo valha para outros jornalistas.

O que me cativa nesse caso é que não se trata do antigo embate entre ambientalistas que querem proteger as florestas só porque é isso que eles fazem e uma prefeitura interessada em arrecadação e empregos. Trata-se de uma discussão sobre modelo de desenvolvimento.

No meio das alegações sobre espécies ameaçadas e seus habitats, sobrepõem-se um argumento que me parece central: Embu deveria apostar num projeto industrial e logístico, cujos impactos sobre as áreas florestais ainda são imprecisos, em prejuízo da sua vocação turística? Se o mesmo investimento se destinasse ao uso sustentável das unidades de conservação (pesquisa, visitação, serviços ambientais etc.) quem será que geraria mais desenvolvimento?

Se você duvida que a segunda alternativa mereça cogitação, conheça o caso de Guaramiranga, no Ceará. Até o final dos anos 90, era uma cidade empobrecida e sem rumo, injuriada com as unidades de conservação no seu entorno que impediam o avanço das lavouras. Devido ao clima e outros fatores marginais, a atividade agropecuária nem era tão promissora assim.

Aí chegaram uns malucos de Fortaleza querendo instalar ali um festival internacional de jazz e blues. O sucesso do evento foi tamanho que através dos anos Guaramiranga viu crescer a sua arrecadação trazida pelos visitantes, que por usa vez gerou melhoras de infra-estrutura, ampliação de serviços e comércio, e as áreas verdes antes negligenciadas passaram a render o acréscimo do turismo de natureza.

O ponto é que cada cidade precisa descobrir a sua própria vocação. Desenvolvimento não é um caminho único, uma receita pronta. A vocação pode ser indústria? Pode. Mas também pode ser o comércio e os serviços associados à experiência turística, um caminho que Embu já vem trilhando com suas lojas, seus artistas, seus restaurantes e suas áreas protegidas.

Essa espécie de planejamento estratégico só pode vingar se for fruto de processo participativo. Por isso é significativo que as ONGs locais estejam se articulando sob a bandeira Embu 2020, ciclo de palestras realizado em fevereiro sobre o potencial local para o futuro.

No site do movimento tem todas as informações sobre o caso muito bem escritas e editadas. Não sei que respostas Embu encontrará ao longo desse processo, mas sei que a pergunta é certeira: "que cidade queremos?"

Na foto (divulgação), obras em curso no Jardim Tomé, em Embu das Artes

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Comentários

06/07/2011 às 22:41 Anonymous - diz:

Milena N. Fabbrini – diz:Excelente posicionamento!!! Temos que valorizar a vocação do município! Incentivar o desenvolvimento sustentável! Investir na educação das pessoas e não em especuladores imobiliários!

06/07/2011 às 23:11 Anonymous - diz:

Rodolfo Almeida – diz:Olá Carolina, muito obrigado por escrever desse drama que nos aflige, pois até agora somente víamos na internet sites publicando release da prefeitura de forma totalmente tendenciosa, sem qualquer reflexão, e influenciando de forma negativa. Agora sim, de forma imparcial, estimulando a reflexão, veja o valor de uma verdadeira repórter! obrigado!

06/07/2011 às 23:36 Anonymous - diz:

vanessa – diz:Olá Carolina, muitíssimo obrigada pela atenção que deu a nossa luta e de todos , pois isso atinge todo o entorno e consequentemente o planeta de uma forma geral , pois essa luta , essa energia contagia todos que vêm lutando por um planeta melhor ! Obrigada , obrigada… tenho enviado diversos emails para todas as mídias , espero receber mais notícias boas como essa ! Muitíssimo obrigada e venha visitar Embu das artes.Abraço grandeVanessa Embu

06/07/2011 às 23:38 Anonymous - diz:

Erica Fernandes – diz:Carolina, a coerência de seu texto faz muito mais que divulgar e dar visibilidade a este sensível embate que a cidade está atravessando! Obrigada por nos incitar a uma reflexão consciente e rechaçar paradigmas prontos e muitas vezes equivocados. Desenvolvimento não é fórmula matemática e há que se enxergar horizontes novos para um mundo novo!

07/07/2011 às 08:25 Anonymous - diz:

Filipe Alvarez – diz:Parabéns pelo modo crítico com que você trata o tema! Vôce não desqualifica a posição da prefeitura… apenas mostra o quão importante é a reflexão a respeito das possibilidades e consequencias!Muito bom!

07/07/2011 às 08:45 Anonymous - diz:

Roberto C. P. Junior – diz:Obrigado, Carolina. Oxalá outros ambientalistas também se posicionem claramente em relação ao tema, como você fez.

07/07/2011 às 09:14 Anonymous - diz:

Gunila alvarez – diz:Olá Carolina,Só quero te agradecer por ter dado atenção ao tema e por seu posicionamento!

07/07/2011 às 09:21 Anonymous - diz:

Zeinap Muhammad – diz:Obrigada Carolina, suas palavras contribuirão e muito para a vitória deste processo e consequentemente para a Preservação deste importante trecho de Mata Atlantica. Abracos.

07/07/2011 às 09:30 Anonymous - diz:

Nelson Wagner – diz:Carolina, muito legal o exemplo que você citou Guaramiranga, ouvi em um programa de rádio estes tempos sobre o local e o festival, incrível como soluções alternativas podem trazer participar do desenvolvimento sustentável de uma região. Esperamos que o Embu também mantenha a direção do seu desenvolvimento alinhado com sua vocação. Obrigado pelo apoio.

07/07/2011 às 09:31 Anonymous - diz:

Daniela Schmitz Wortmeyer – diz:Parabéns pela excelente abordagem do tema! Acredito que a discussão a respeito do futuro de Embu das Artes deve ser realmente PARTICIPATIVA, como você mencionou, com espaço para analisar de forma imparcial e construtiva os argumentos de todas as partes envolvidas. Grande abraço!

07/07/2011 às 10:05 Anonymous - diz:

Raquel – diz:Raquel – diz:Parabéns pela bela matéria! como Turismóloga nõa podia ver exemplo melhor que o festival de Jazz e Blues .Outros famosos eventos também movimentam o turismo em lugares consolidados como a FLIP em Paraty e outros…assim acredito que Embu das Artes pode e deve se desenvolver nessa linha e muitas outras!!

07/07/2011 às 10:05 Anonymous - diz:

Raquel – diz:Raquel – diz:Parabéns pela bela matéria! como Turismóloga nõa podia ver exemplo melhor que o festival de Jazz e Blues .Outros famosos eventos também movimentam o turismo em lugares consolidados como a FLIP em Paraty e outros…assim acredito que Embu das Artes pode e deve se desenvolver nessa linha e muitas outras!!

07/07/2011 às 10:48 Anonymous - diz:

Ana Paula – diz:Oi Carolina,Muito obrigada pelo apoio que vc está nos dando, estamos mesmo precisando de pessoas como vc para ajudar nessa luta…Obrigada.

07/07/2011 às 11:17 Anonymous - diz:

Ricardo Baldini – diz:Carolina, o exemplo de Guaramiranga foi muito bem colocado. Existem muitos outros que podemos citar aqui, mas este em específico realmente mostrou a questão da “vocação” da cidade como você colocou. Atualmente a vocação de Embu é o seu turismo e a preservação ambiental que é muito forte na região. Não se pode ofertar progresso a uma população carente onde ela não terá vez neste processo, pois como já foi dito anteriormente esta zona industrial trará sua própria mão de obra qualificada. O Embu não tem mão de obra qualificada para alguns setores, setores estes que virão para o Embu se este corredor se concretizar. Existem diversas formas de se lucrar com a preservação do meio ambiente, vide o caso do ICMS ambiental, entre outros. Porém a prefeitura está cegando a população com promessas de emprego e progresso, e isso não me parece nem um pouco justo. Seria muito bom se mais jornalistas levantassem esse assunto da forma como você levantou. E como você mesma disse, São Paulo pode sofrer consequencias em seus mananciais com essa bagunça toda. De qualquer modo, vamos continuar na batalha pela coerência das informações e pelo diálogo transparente entre o prefeito das massas e a realidade da cidade.

07/07/2011 às 11:17 Anonymous - diz:

Michelle Origuela – diz:É muito gratificante obter a atenção de profissionais sérios e imparciais, sim pois esse é o papel da imprensa, o de veicular notícias e não influenciar opiniões de forma tendenciosa!!! Obrigada, Carolina, por este texto rico e esclarecedor, mais uma vitória para nossa causa!

07/07/2011 às 13:04 Anonymous - diz:

411@hotmail.com” rel=”nofollow”>Hektor spada – diz:411@hotmail.com” rel=”nofollow”>Hektor spada – diz:A minha ideia,fazer uma grande camnhada com o nome de cosentiçasam avisamos todos amigos eamigos dos amigos .tem muita gente que ta sendo ludibriada,atraves desta palavra desenvolvimento,moro aqui conheço a nossa mata,as trilhas os animais que temos.ateçao nao adianta,muita coversa vamos agir !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

07/07/2011 às 13:36 Anonymous - diz:

Joe Kallif – diz:Joe Kallif – diz:Joe Kallif – diz:Olá Carolina! Aposto! Embu é das artes e, por meio delas, turismo e seus milhões de serviços! Industrialização é um caminho equivocado, no mínimo! Temos de lembrar que a instalação de um “corredor industrial” implicará em perda de água, já que córregos e o Ribeirão Ressaca serão sacrificados! A propósito, por alguns anos morei em Fortaleza. Pude constatar os benefícios (e prazeres) que Guaramiranga desfruta, por conta do turismo! O que Embu das Artes está esperando? Nossa revolução!Ótima matéria! Parabéns!

07/07/2011 às 16:13 Anonymous - diz:

Diana Schuler – diz:É este o ponto: “não se trata do antigo embate entre ambientalistas que querem proteger as florestas só porque é isso que eles fazem e uma prefeitura interessada em arrecadação e empregos. Trata-se de uma discussão sobre modelo de desenvolvimento!” Como construir uma cidade para todos, conciliando os diversos interesses e os atributos do local? Excelente matéria!

07/07/2011 às 19:40 Anonymous - diz:

André Luiz Piscirilli Ramos – diz:É um importante reforço perceber a adesão de uma jornalista especialista. Progresso é positivo, principalmente quando a comunidade o conquista de forma genuína, vestindo a camisa, apoiando e apoiada. Vislumbrar o desenvolvimento de determinada área, passa necessariamente pela aceitação da população envolvida, não pode ser apenas fruto de uma vontade de governantes que daqui a pouco nem estarão mais governando. Parabéns para a Sociedade Civil Organizada do Embu, e muita gratidão para a jornalista Carolina, que muito colabora engrossando nossas fileiras.

07/07/2011 às 21:13 Anonymous - diz:

Waldemar Seehagen – diz:Carolina:Movimentos organizados, nascidos da própria sociedade, que procura tomar nas próprias mãos o seu destino, em prol do bem comum, não aceitando passivamente imposições de políticos não comprometidos com o real interesse e necessidades da população, merecem ser apoiados e incentivados. Só assim será possível mudar para melhor este país tão maltratado por seus governantes.É de suma importância esclarecer que as matas do Embú das Artes são belíssimas e ricas em flora e fauna, além se constituirem em área de mananciais que ajudam a abastecer a cidade de São Paulo.Com a degradação do local, inevitável com a criação do corredor empresarial e industrial na forma proposta pela prefeitura, o prejuízo será enorme.Para todos. Não é necessário que seja feito desta forma, sendo possível o desenvolvimento com um modelo diferente, adequado à vocação da cidade, que, sem dúvida alguma, é o Turismo.Obrigado pela divulgação desta nossa luta.

07/07/2011 às 23:37 Anonymous - diz:

Ademar Ohde – diz:Oi Carolina, estou indignado com a atitude da Prefeitura do Embu, de tentar nas entrelinhas da proposta de revisão do Plano Diretor, destruir uma área de proteção ambiental já constituída e muito importante para todos, pois a proposta já contempla áreas industriais específicas.Parabéns pelo seu texto esclarecedor, a população precisa conhecer os equívocos que os nossos representantes estão cometendo e se posicionar.

11/07/2011 às 18:44 Anonymous - diz:

Clovis Segurado Goussain – diz:Olá Sra Carolina agradeço as suas palavras e o seu apoio, é bom saber que existem jornalistas abertos aos fatos reais e a Verdade, não se deixam submeter e querem verificar eles mesmos tudo que lhes chega às mãos.Se uma área já é de preservação ambiental, passa a ser um crime tentar destruir está área seja a que pretesto for.

11/07/2011 às 22:02 Anonymous - diz:

Lucia Maria da Silva – diz:Lucia Maria da Silva – diz:Parabéns Carolina! Como é bom que ainda existem seres humanos como você, que prezam a natureza e que se sensibilizam com, uma causa que na verdade é de todos nós. O Embu das Artes, suas matas, seu legado cultural, seus manaciais e seus lindos pássaros são um patriomõnio da humanidade!

13/07/2011 às 16:50 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:Pessoal, não vou poder responder a cada comentário individualmente mas quero agradecer os elogios -exagerados? ;-) – e dizer que a repercussão desse post confirma aquilo que eu já suspeitava: a maior riqueza de Embu das Artes é esse alto nível de envolvimento e consciência dos seus cidadãos. Acho que vocês já estão muito mais preparados para resistir a rumos indesejáveis que outros cantos do Brasil. Boa sorte!

18/07/2011 às 21:03 Anonymous - diz:

JEAN MARCOS – diz: ACREDITO PLENAMENTE QUE VENCEREMOS ESSA BATALHA. SEMPRE HAVERÁ JUÍZES E PESSOAS DE BEM QUE NÃO SE ” VENDERÃO ” PARA OS PODEROSOS . PODEM FAZER O QUE QUISEREM, PELA SEGUNDA VEZ FOI ADIADA A APROVAÇÃO DO PLANO DIRETOR. DIFICULDADES SEMPRE TEREMOS, MAS, ORGANIZADOS, CHEGAREMOS AO NOSSO OBJETIVO : DEFENDER NÃO SÓ EMBU, MAS O NOSSO PLANETA , POIS SÓ ASSIM DEIXAREMOS UM LEGADO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES.VAMOS CONTINUAR DIVULGANDO !!!!ABRAÇOS…

18/07/2011 às 21:03 Anonymous - diz:

JEAN MARCOS – diz:JEAN MARCOS – diz: ACREDITO PLENAMENTE QUE VENCEREMOS ESSA BATALHA. SEMPRE HAVERÁ JUÍZES E PESSOAS DE BEM QUE NÃO SE ” VENDERÃO ” PARA OS PODEROSOS . PODEM FAZER O QUE QUISEREM, PELA SEGUNDA VEZ FOI ADIADA A APROVAÇÃO DO PLANO DIRETOR. DIFICULDADES SEMPRE TEREMOS, MAS, ORGANIZADOS, CHEGAREMOS AO NOSSO OBJETIVO : DEFENDER NÃO SÓ EMBU, MAS O NOSSO PLANETA , POIS SÓ ASSIM DEIXAREMOS UM LEGADO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES.VAMOS CONTINUAR DIVULGANDO !!!!ABRAÇOS…

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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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