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A economia pode crescer para sempre? Carolina Derivi - 27/01/2010 às 15:48
O pessoal da NEF (The New Economics Foundation) encontrou uma maneira engraçada de apresentar ao público o problema do crescimento econômico perpétuo: uma hamster gigante.
Pois é, a ideia por trás da animação acima é mostrar que, se na natureza não há nada que cresça indefinidamente, deve haver alguma sabedoria por trás disso, não é mesmo? Afinal, a forma como a vida se organiza no planeta é resultado de milênios de erros e acertos. Então, perguntam os produtores de The Impossible Hamster, por que é que os economistas e os políticos pensam que a economia pode crescer para sempre?
A maioria das fontes com quem eu converso sobre esse assunto acha que ainda é cedo para que essa pergunta ganhe notoriedade. O mundo já está se embananando o suficiente apenas com a missão de reduzir os gases de efeito estufa. Apesar disso, mais cedo ou mais tarde, a humanidade vai ter de se deparar com esse problema.
Pense na mudança climática, por exemplo. Ainda que as inovações tecnológicas consigam aumentar muita a eficiência energética, se os padrões de vida continuarem a crescer, é como dar uma passo a frente e dois para trás. É por isso que a intensidade de carbono (quantidade do gás gerada por unidade de PIB) vem caindo muito no mundo inteiro desde as crises do petróleo nos anos 70. Mesmo assim, as emissões globais, em termos absolutos, só fizeram aumentar.
E se a revolução tecnológica for tão magnânima neste século a ponto de banir completamente as energias fósseis? Nesse caso, a economia poderia crescer para sempre? Não. Os recursos naturais necessários a todas as atividades econômicas poderiam ser levados ao esgotamento. Recursos renovável não significa recurso infinito. O exemplo mais evidente é a água.
Antes que se manifestem os teóricos de que o ambientalismo é uma conspiração contra os países pobres, deixa eu esclarecer que ninguém imagina que essa seja uma questão pertinente para todo o globo. É por isso que o exemplo preferido dos economistas ecológicos são os países nórdicos. Será que eles realmente ainda precisam crescer mais? Será que suas populações já não alcançaram um patamar de vida plenamente satisfatório?Nesse caso, dizem os especialistas, o crescimento se torna deseconômico e predatório já que reduz o espaço ecológico para que outras nações possam crescer e atingir o desenvolvimento. No fundo essa é uma discussão sobre igualdade de oportunidades, que atende pelo nome de economia em steady-state (ESS), cujo precursor é Herman Daly.
Grosso modo, não se trata de uma economia estagnada, mas que está em constante aprimoramento. O negócio é produzir melhor, em lugar de produzir mais. Daly usa, entre outras metáforas, a imagem de uma imensa biblioteca abarrotada em que não cabem mais livros. A solução seria trocar os livros mais velhinhos ou menos interessantes por outros livros melhores. A biblioteca não precisa estagnar, mas também não precisa crescer para melhorar. O crescimento tem limite. O desenvolvimento, não.
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28/01/2010 às 01:54 Anonymous - diz:
Felipe Gruetzmacher – diz:Felipe Gruetzmacher – diz:Ótimo texto e vídeo.Temos que revolucionar o nosso modo de pensar.Ponto final.Menos ganância. Mais meio ambiente.
28/01/2010 às 10:14 Anonymous - diz:
Raquel – diz:Eu diria um pouco diferente, Felipe. Menos ganancia, mais VIDA. Parabéns pelo ótimo texto. A última frase resumiu todo o conteúdo, para bom entendedor. Abraços.
19/07/2011 às 12:25 Anonymous - diz:
Edson Franco – diz:temos um grupo que debate a questão do decrescimento no Brasil. Visite-nos: http://br.groups.yahoo.com/group/decrescimento
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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