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Uma economia da floresta Carolina Derivi - 26/08/2009 às 18:31
Serviços ambientais, mercado de carbono, regulação climática… Quanto mais eu me familiarizo com as oportunidades econômicas da floresta, mais eu me convenço que na verdade ninguém sabe o que fazer com ela. Nem as ONGs, nem os políticos, nem os cientistas, ninguém.
Acabo de receber o estudo do IPAM sobre as áreas protegidas na Amazônia. Já que as unidades de conservação inibem o desmatamento (não completamente, mas inibem) poderiam reduzir em até 16% as emissões globais de carbono. Mais sobre o estudo aqui.
Está todo mundo de olho em quanto dinheiro a floresta deve angariar para servir de estoque de carbono. São raros os momentos em que os governadores da Amazônia, assim como expoentes do Executivo nacional, unem-se em coro a ONGs e cientistas. É consenso: os serviços ambientais florestais precisam entrar na conta da Convenção do Clima, para que dólares e euros atraquem por aqui.
Mas diz a teoria que quanto mais diversificada a economia, mais sustentável e resiliente ela se torna. Será que o melhor que podemos fazer é deixar a floresta intocada? É só? Acabou por aí?
Como disse José Eli da Veiga numa conversa recente que tivemos, lá tem pelo menos 20 milhões de pessoas com tanto direitos de se desenvolver quanto a gente aqui.
A inauguração de uma economia da floresta é um sonho antigo. Aparece principalmente nos discursos do climatologista Carlos Nobre e da historiadora e geógrafa Bertha Becker. São dois dos principais especialistas em Amazônia no mundo.
Mas enquanto sobram conceitos, faltam caminhos. Bioindústria, desenvolvimento tropical e uma série de outros nomes indicam basicamente a mesma coisa: que o País deveria explorar não apenas os serviços florestais, como também os produtos florestais. É aquela história tantas vezes repetida: vai que a cura do câncer está na Amazônia… E quantos princípios ativos da biodiversidade ainda não descobertos poderiam fomentar uma indústria de fármacos? Ou de cosméticos? Ou de embalagens?
Muita gente torce o nariz para o extrativismo e com razão. Como está hoje, é meia boca. As poucas reservas que conseguem gerar renda sobrevivem com apoio de governos. Mas não é impossível fazer esse troço dar lucro.
Se fosse, os surfistas americanos da Sambazon não estariam ganhando rios de dinheiro com o açaí. Se fosse, o Channel nº 5 não teria como principal componente a essência do Pau-rosa. Isso só para citar os exemplos mais notórios…
Qual mal faz começar a pensar grande? Há vida além do carbono.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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