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Ecobag econfusa Carolina Derivi - 02/03/2011 às 16:49


No mundo da sustentabilidade, a notícia mais escandalosa do dia certamente foi o relatório britânico segundo o qual ecobags são mais impactantes que os famigerados sacos plásticos. Há muitos outros escândalos socioambientais mais graves no mundo acontecendo neste mesmo instante. Mas essa notícia mexe com os fundamentos de uma pressão por escolhas individuais que se abate, em maior ou menor grau, sobre todo mundo. 

Tem gente que se irrita com a patrulha e qualifica tudo de ecochatice. Tem gente que não agüenta apenas observar o mundo piorando e quer fazer alguma coisa , nem que seja pequena, só para seguir na direção contrária da estupidez. O preço a pagar é um embrião de ansiedade que pode se tornar patológica.

Eu sempre digo, lá no meu trabalho, a título de piada-meio-séria, que deveríamos ter um psicólogo de plantão no escritório. Se você não cuida de manter a cabeça no lugar, noticiar sustentabilidade causa depressão. Cada lâmpada acessa remete às hidrelétricas da Amazônia. Cada torneira pingante me faz pensar nas guerras tribais por água na África. Aí você toma as decisões informadas na sua vida e vem um pesquisador gringo para bagunçar tudo. Meu mundo caiu!

Na real, a história das ecobags já está em dúvida faz tempo. Desde que estourou a moda (lembram da sacola “I’m not a plastic bag”, da designer Anya Hindmarch?) tem gente apontando o óbvio: que se a coisa vira sonho de consumo e você quer ter dezenas de sacolas de cores e estilos diferentes… bem, não era essa a ideia. O relatório britânico –inédito, desenterrado pelo jornal Independent – coaduna com essa visão.

Levando em conta que algodão é das culturas que mais demandam água e agrotóxicos é preciso usar a sacola centenas de vezes para compensar, no descarte, o estrago na fase de produção. Mas os ingleses, em média, usam a ecobag apenas 50 vezes.

Não é preciso se desesperar. Tenha duas ou três sacolas e utilize-as até não poder mais que fica tudo bem. O caso aqui é todas as pequenas-atitudes-que-fazem-a-diferença são alvo de controvérsia. Eu andava (ecoansiosa que sou) preocupada com o chuveiro elétrico do meu apartamento alugado, até que a minha chefe me informou que a alternativa a gás gasta muito mais energia (ok, térmica) porque aquece a água o tempo todo, ao passo que o elétrico só esquenta o que você for usar na hora.

E o que dizer do clássico dilema entre lâmpadas incandescentes e fluorescentes ou LED? Essas últimas, embora mais eficientes, contêm substâncias tóxicas.

Conclusão: não tem. O que quero colocar aqui é uma pergunta para a qual não consigo formar opinião. Dá para cobrar coerência de atitudes individuais nesse mundo em transformação em que todas as solução são constantemente atualizadas, revisadas e, não raro, derrubadas?

Foto: Germano Lüders

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Comentários

02/03/2011 às 21:18 Anonymous - diz:

Marcello Santo Nicola – diz:Isso é uma bobagem, minhas ecobags tem mais de um ano e uso quase todo dia. Sem falar qeu quando a compra é grande uso mochila, bolsa de viagem ou caixa de papelão!

03/03/2011 às 10:39 Anonymous - diz:

Verônica Soares – diz:Oi Carol! Gostei muito do seu texto e da sua reflexão. Acho que esse temas realmente dificultam uma conclusão mas, particularmente, guio minhas escolhas pelo bom senso, evitando os exageros e os desperdícios no consumo. No entra e sai de teorias, o bom senso prevalece e os impactos podem sempre ser minimizados. Um abraço!

03/03/2011 às 10:42 Anonymous - diz:

Ana Luiza Barreto Martinez – diz:Realmente, se não tomamos cuidado, é só estresse. Confesso que fiquei muito preocupada com a notícia, pois uso eco bags e por mais que tenha atitudes, até então, ambientalmente corretas, ainda acho que faço muito pouco pelo planeta.Abraços!

03/03/2011 às 10:52 Anonymous - diz:

Tamara Takaoka – diz:Tamara Takaoka – diz:Fazer escolhas é assim mesmo, confuso, não é por isso que a gente vai deixar de defender a liberdade de escolha, né? Mas o complicado das ecobags quando viram sonhos de consumo é a galera que usa como bolsa, Ecobag tem que sair de casa dobrada pra voltar cheia!E cada uma pode durar anos, além de ter outras opções como tradicionais sacolas e carrinhos de feira que as pessoas já tem, basta usar!

03/03/2011 às 11:14 Anonymous - diz:

T Jeo – diz:É fácil plantar uma idéia em que ficar encima do muro é a melhor opção. Matérias com “imparcialidade” têm confundido ainda mais uma sociedade que esta carente de informações verdadeiras.As notícias de alguns meios não condizem com a realidade, catástrofes, o mau uso dos recursos naturais, um clima descontrolado. Ambientalistas têm feito o trabalho deles, alguns jornalistas também, é lamentável, mas, é real saber que alguns “jornalistas” perdem a oportunidade de se informar e transmitir assuntos relevantes que poderão, de fato, trazer algum benefício para a sociedade e o planeta. Vocês estão na dianteira e a “imparcialidade” é utopia. Ficar em dividido entre o que é certo ou errado é a mesma coisa que escolher o errado.

03/03/2011 às 14:14 Anonymous - diz:

ALEX HOERA – diz:bom, pelo menos já usei mais que 50 vezes a minha, carrego pra tudo quanto é canto e sempre sou elogiado! ao invés de voltar do supermercado carregando zilhões de sacolinhas plásticas que rascam no meio do caminho! vou pela praticidade, é como o costume de quem vai à feira, para ser tão normal! no supermercado o pessoal fica meio deslumbrado, acho graça! ;)

03/03/2011 às 14:14 Anonymous - diz:

ALEX HOERA – diz:bom, pelo menos já usei mais que 50 vezes a minha, carrego pra tudo quanto é canto e sempre sou elogiado! ao invés de voltar do supermercado carregando zilhões de sacolinhas plásticas que rascam no meio do caminho! vou pela praticidade, é como o costume de quem vai à feira, para ser tão normal! no supermercado o pessoal fica meio deslumbrado, acho graça! ;)

03/03/2011 às 14:25 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:Taí, Verônica, to contigo. Bom senso não sai de moda jamais. Mas mesmo esse fiel escudeiro pode deixar a gente na mão às vezes… Por exemplo: Você sabe avaliar se todos os seus desejos de consumo caem ou não no consumismo? Eu sempre uso este exemplo: uma casa na praia pode ser ostentação para uns e um item de qualidade de vida absolutamente necessário para outros.

03/03/2011 às 14:46 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:É engraçado, T Jeo, como todo mundo parece saber exatamente como o “jornalista” deve fazer o seu trabalho. Tá pra nascer profissão mais domínio público que essa… A patrulha é super importante, mas também acho que às vezes falta humildade para perceber que do outro lado tem um profissional preparado para tomar decisões tão difíceis que o público nem desconfia. Meu interesse aqui é avisar a você que sustentabilidade tem muito (mas muito!) mais perguntas que respostas. Acho que isso torna tudo muito mais interessante…abs

03/03/2011 às 18:32 Anonymous - diz:

Arjuna Cordaro – diz:Também não podemos esquecer do lobby feito pelos que tem interesse em continuar o grande consumo das sacolas de plástico.Outro dia li uma matéria na revista nº16 da OESP que os fabricantes de sacolas plásticas, varejistas, petroquímicas e a Petrobrás se uniram para fazer campanha PRÓ sacolas plásticas. Detalhe com orçamento estimado em R$7 milhões e contratação da agência do publicitário Washington Olivetto, da agência W/Brasil.Eu não vejo vantangens no uso das sacolas plásticas, principalmente porque se parássemos de fabricá-las hoje nossas próximas gerações ainda conviveriam com as sacolas que foram produzidas e com as suas consequências.

03/03/2011 às 19:56 Anonymous - diz:

Paula – diz:Não falarei da reportagem, mas acho que esta pesquisa faz um des-serviço. Além do impacto ambiental do processo produtivo, existem outros fatores que merecem ser olhados. O ciclo de vida de uma sacola plástica não termina quando ela é descartada e isso é um problema (o que acontece com elas? E o que ocasionam?). Além disso, as ecobags podem ser feitas de diversos materiais, inclusive materiais que foram descartados por outro processo (jeans rasgado, tecido de sofá estragado, lona de caminhão, lona residual de gráfica…). Outra coisa é o próprio processo produtivo do algodão, se for usado algodão ecológico (como por exemplo de Auroville na Índia), o impacto desta algodão não pode ser comparado com o impacto de um algodão que venha de um processo convencional (inclusive o consumo da água, pois o manejo da água teria que ser avaliado). Outro ponto é: usar ecobag deve estar atrelado a uma conscientização de consumo ético. Desta forma, ecobag não é uma questão de moda é sim filosofia de vida, uma forma de olhar e mover-se no mundo. Se for moda e desejo de consumo… isso sim me confunde! Uso uma carteirinha que vira sacolinha na bolsa, feita de naylon que era da minha avó. Não tenho a menor idéia de quantas vezes foi usada. Está manchada, mas é a minha preferida! Tenho algumas de tecidos reciclados para fazer feiras grandes e não tenho a menor dúvida de que o impacto causado por elas é bem menor do que o impacto das sacolinhas plásticas. Assino embaixo de que sustentabilidade tem muito mais perguntas do que respostas, mas acho que temos que cuidar com os des-serviços que são feitos por aí, pois eles, muitas vezes, podem ser convenientes. Abraço

03/03/2011 às 20:07 Anonymous - diz:

Paula – diz:Sobre o chuveiro:Os aquecedores de passagem (são a gás) somente aquecem quando a torneira de água quente é acionada. Quanto mais perto do chuveiro (se for uma casa, pode ser colocado na parede de trás do banheiro, na rua) menos tempo percorrendo canos a água quente leva, e maior eficiência. O ideal mesmo é o aquecimento solar complementado pelo gás para dias sem sol de inverno.Sobre lâmpadas:O mercúrio das fluorescentes é suer tóxico. Existem no mercado as lâmpadas de sódio, que são menos tóxicas e têm boa eficiência. O problema é que são caras e difíceis de encontrar. Sobre o LED, tenho muitas perguntas, pois eu realmente achava que era uma excelente opção. Desde que ouvi sobre a toxidade, confesso que fiquei sem saber para onde me mover… E assim vamos todos juntos :)

03/03/2011 às 21:03 Anonymous - diz:

Dafne – diz:Sei que é apenas um detalhe na matéria, mas onde que o LED é tóxico?? o.OQue eu saiba são tóxicas apenas as lâmpadas fluorescentes que devem ser levadas de volta à loja em que se comprou que, teoricamente, é obrigada a encaminhar para o descarte de forma correta.

03/03/2011 às 21:07 Anonymous - diz:

Dafne – diz:Sei que é apenas um detalhe na matéria, mas onde que o LED é tóxico?? o.OQue eu saiba sÃo tóxicas apenas as lâmpadas fluorescentes que devem ser levadas de volta para a loja em foram compradas e que, teoricamente, são obrigada a encaminhar para o descarte de forma correta.

04/03/2011 às 09:08 Anonymous - diz:

Nina – diz:Eu também fico me perguntando qual a forma de manter a sustentabilidade e sempre chego a mesma conclusão: controle da natalidade. Não vejo outra saída. É gente demais. E o argumento de que no Brasil, por exemplo, temos muito espaço, é erronea, uma vez que a principal fonte de vida, a água, já está em grande parte contaminada. Pena é que em alguns países este tipo de controle nem é aventado.

04/03/2011 às 20:14 Anonymous - diz:

Gi – diz:Tenho várias ecobags feitas com calças jeans velhas, ou seja, não estou usando um material novo para fazer as sacolas, acredito que possa ser uma maneira de amenizar os impactos.

05/03/2011 às 09:14 Anonymous - diz:

Felix Kaufmann – diz:os britânicoss são uns diletantes e esse tal relatório parece coisa encomendada. OK, a cultura do algodão tem impactos ambientais horríveis, mas e os impactos da cadeia de produção e consumo de plástico??? as sacolinhas são produto da indústria petroquímica e precisam de mais ou menos 80 anos para se autodegradar!

06/03/2011 às 10:59 Anonymous - diz:

Augusto_Uliana – diz:Ola Produzimos Bolsas e Sacolas ecológica, coloridas e com várias estampas. Esse é o nosso trabalho, além disso, nos preocupamos muito com a saúde do nosso planeta. As bolsas e sacolas Tiebag são feitos a partir de um processo de reciclagem. A matéria prima utilizada é a fibra de poliéster retirada das garrafas PET. Duas das principais características desse tecido é a sua resistência mecânica e as cores não que desbotam com facilidade ao longo do tempo. Usar recursos renováveis e reutilizáveis, sem dúvidas é a melhor opção. Considerando a observação da Paula; precisamos ainda aprimorar nossas tecnologias, a respeito do processo de produtivo do algodão, por exemplo!Acreditamos que o uso das ecobags não implica somente num sonho de consumo, esta envolvido uma proposta para um novo estilo de vida sustentável.Parabéns pela matéria entendo que as vezes é difícil tomar decisões e ficamos tranquilos quando a repercussão é positiva. Tem gente que apimenta a coisa como o T Jeo, mas é bom!

10/03/2011 às 10:44 Anonymous - diz:

Samysia Barbosa – diz:Olá, bom dia. Gostaria de saber se podemos reproduzir seu texto na seção “Consciência Ambiental” do site http://www.vivaviver.com.br.Com os devidos créditos, claro. Obrigada!

14/03/2011 às 14:30 Anonymous - diz:

Carolina Derivi – diz:Samysia, manda bala! bjs

09/04/2011 às 14:19 Anonymous - diz:

rosefrey – diz:A melhor ecobag é aquela feita em casa, testando nossos dotes, com o que sobrou de uma calça jeans, por exemplo. Dá pra forrar com uma camiseta q vc não usa mais e a coisa fica bem fortinha… Assim, vc ainda “recicla”, além de ficar personalizada”…

18/04/2011 às 20:14 Anonymous - diz:

Cissa – diz:MMM…a solução não é tão simples…se for para solucionar mesmo…primeiro, a seleção natural (ou não natural) tem que varrer uma galera. Adiós. Tem muita gente aqui. Depois…os que sobrarem, tecnologias a parte….terão que fazer cocô na terra, compostar o seu lixinho, plantar sua comidinha…estão preparados??? E chega desse câncer chamado consumismo…O conforto cegou a humanidade.

17/06/2011 às 16:49 Anonymous - diz:

ROSA TIGRE – diz:QUEM SERÁ QUE GANHA COM ESTE “BARULHO”?SERÁ………..QUE HÁ ALGUMA EMPRESA PREJUDICADA COM O USO DE ECOBAGS EM TECIDO?…..EU FAÇO MINHAS ECOBAGS EM TECIDO,MUITAS TIPO PATCH,SÓ COM RETALHOS(E FICAM BONITAS). O SEGREDO É SIMPLES>COMBINAR CORES. AINDA FORRO COM TNT.O NEGÓCIO É FAZER O QUE PENSAMOS SER CORRETO,POIS ONDE HÁ ALGUM “BARULHO” É QUE HÁ ALGUÉM SEM VENDER.BJUX,GURIAS, E CONTINUEMOS FAZENDO O CORRETO.ASS. A GAÚCHA TEIMOSA E “EMPACADA” NO QUE ACREDITA.

09/07/2011 às 12:17 Anonymous - diz:

Mariana – diz:Juro que não é provocação. É mera curiosidade mesmo: O que vocês utilizam como “saquinho” no lixo de cozinha, banheiro da casa de vocês? Porque eu sempre usei os do supermercado, mas desde que comprei uma ecobag não tenho mais e gostaria de saber o substituto de vcs.

27/07/2011 às 18:03 Anonymous - diz:

alessandro – diz:Vi essas ecobag´s na internet comprei para minha esposa e acabei ficando com uma. segue o link ddo blog deles.http://ecobagsakochic.blogspot.com/

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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