BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Diversidade bio e cult Carolina Derivi - 18/08/2010 às 15:56
Foi com a querida Ana Carla Fonseca, especialista em economia criativa, que eu aprendi como meio ambiente e cultura estão intimamente ligados. Aliás, quando se trata de diversidade, a cultural e a biológica sofrem os mesmos riscos, compartilham as mesmas oportunidades e estratégia e, no final do dia, dependem uma da outra.
Pense no processo de extinção, por exemplo. Assim como o sumiço de uma espécie da face da Terra é irreversível, o mesmo vale para as línguas que morrem junto com o último herdeiro de determinada cultura. As projeções são de que, até meados deste século, metade das sete mil línguas faladas hoje terá desaparecido.
Geralmente isso tem a ver com inserção econômica. Um saber cultural vai desaparecendo na medida em que as pessoas o abandonam. É a tecnologia que chega com processos mais ágeis, são os jovens que abandonam uma comunidade tradicional para buscar melhores condições de vida…
Pois com a natureza é a mesma coisa. Faz tempo que eu falo aqui como são importantes os mecanismos para atribuir valor econômico aos recursos naturais. Se floresta não vale um centavo, as motivações para o desmatamento serão sempre muito mais fortes.
Por fim, tudo que a gente pode ou poderia aproveitar da biodiversidade depende sobremaneira do conhecimento tradicional. Uma vez entrevistei uma professora de etnobotânica que resumiu tudo muito bem: Se eu vou estudar uma floresta que tem 250 plantas superiores, cada uma com flores, sementes, raízes, é como procurar agulha no palheiro. Os índios Kayapó, por exemplo, reconhecem mais de 30 tipos de diarréia e para cada uma tem um tipo de planta. É o conhecimento tradicional que permite levantar hipóteses e fazer uma seleção preliminar.
Do ponto de vista talvez mais utilitarista, a gente pode olhar para a diversidade como uma caixa de ferramentas. O objetivo de manter o mundo diverso é garantir que a humanidade sempre vai poder contar com uma infinidade de ferramentas para lidar com os desafios de hoje e os imprevisíveis que ainda estão por vir.
É por isso que as duas convenções internacionais, sobre biodiversidade e diversidade cultural, estabelecem que ambas são fundamentais para a promoção da paz no mundo.
Para saber mais, vale conferir o artigo da Ana Carla sobre esse tema e ainda o relatório da Unesco Cultural Diversity and Biodiversity for Sustainable Development
ver este postcomente
Não há nenhum comentário. Seja o primeiro!
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
• A soma de todos os problemas…
• Ombudsman para as futuras gerações
• Código Florestal: presente e futuro
• Rio+20: o racha que vem de baixo
• A economia florestal vai mal
• Desigualdade faz mal à saúde?
• Nas entrelinhas de uma conferência
• O país mais sustentável do mundo
• Sobre dar valor ao que tem valor
• Trabalhar menos para ser sustentável
• Impacto ambiental na ponta do lápis
• A economia e os arreios ambientais
• Ambientalistas gregos e troianos
• Fundos ambientais: aprender com a África
• Para entender o desmatamento
• A Amazônia e seus quatrilhões
• Embu das Artes e o caminho das pedras
• O melhor investimento do mundo
• Na Amazônia não tem efeito Fukushima
• Sustentabilidade by the book
• Debates esquecidos em Belo Monte
• Código Florestal e as enchentes
• Abrolhos não rima com Petróleo
• Adeus ano velho, adeus Código Florestal
• Sustentabilidade dá dinheiro?
• Pensar global, sabotar local
• Moradores ameaçados de despejo no Madeira
• 100 empresas para mudar o mundo
• Munição para debates climáticos
• Código Florestal tem solução
• Amazônia equatoriana abre mão do petróleo
• A morte da lei climática americana
• Código Florestal: a história sem fim
• Campos de morango para sempre
• O incrível duelo do ruim contra o menos pior
• Pizza na legislação ambiental
• Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento
• Vila japonesa encara lixo zero
• A economia pode crescer para sempre?
• Sem os gatos, os ratos fazem a festa
• Entre a mata e o machado, quem vai ceder?
• Brasil, terra de “contradições”
• Menos criança, menos carbono
• Congresso pode extinguir leis ambientais
• MP 458 e a repetição da história
• Nove em cada dez são pessimistas
• Por que aderir à Hora do Planeta
• Licenciamento ambiental for dummies
• O salvamento da crise e do clima
• Cidade quebrada reage na Amazônia
• Ideias infames pra salvar o planeta
• A vida menos verde do vizinho
• Além do que agrada aos olhos
• Reino do gado na terra de ninguém
• Rio Madeira, direito e esquizofrenia
• Pódio para os biocombustíveis