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Os crentes do clima Carolina Derivi - 31/03/2010 às 16:57
Adoro os relatórios investigativos do Greenpeace. Na evidente necessidade de contra-atacar as campanhas de desinformação dos crentes (um temos mais adequado que céticos) o último relatório da ONG revela um dos maiores financiadores do negacionismo do aquecimento global: as indústrias Koch.
Fundada nos EUA, a Kosh está no ramo dos negócios petroquímicos e já ultrapassou a ExxonMobil ao liberar US$ 25 milhões para campanhas e pesquisas que refutam a responsabilidade humana sobre as mudanças do clima, contra US$ 9 milhões da concorrente.
Algumas pessoas já me perguntaram como avaliar os argumentos de um lado e de outro nessa celeuma climática. Eu sempre digo que não é pro meu bico. Discutir na arena científica requer formação científica e a avalanche de dados dessa guerra só me deixa confusa. O que eu faço é uma reflexão salutar de repórter: a quem interessa?
É verossímil que ambientalistas e climatologistas tenham se tornado tão poderosos e endinheirados a ponto de conquistar uma supremacia científica fraudulenta? Qual a explicação? Que dezenas de milhares de cientistas venderam as suas almas às ONGs para tapear o mundo inteiro? Não é preciso mais do que bom-senso para desconfiar dessa versão.
Agora, vamos olhar o outro lado. A quem interessa que o aquecimento global seja uma fraude? Bem, a lista é tão imensa que nem vou tentar rascunhá-la aqui. O relatório do Greenpeace, contundente como é, não descreve mais do que uma gota no oceano de interesses bilionários ameaçados pela realidade do clima.
E o prêmio Vergonha Alheia da semana vai para Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) que aparentemente cansou de tentar se disfarçar de verde e resolveu importar essa briga de foice tipicamente americana para o Brasil.
Ao convidar as estrelas do movimento crente, o estatístico Bjorn Lomborg e o climatologista americano Pat Michaels, para uma palestra em São paulo, a entidade afirma que é preciso evitar o erro de limitar a expansão agropecuária no Brasil sem as devidas convicções científicas. Que maravilhoso mundo esse em que a CNA pode escolher as convicções científicas que mais lhe convém.
Michaels, aliás, começou a sua carreira de crente com US$100 mil doados pela empresa americana de geração de energia, Irea. É esse tipo de evidência, menos científica, que não se pode deixar escapar.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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