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Contornos da Rio+20 Carolina Derivi - 28/09/2011 às 17:00
Tenho pesquisado tanto e ouvido tanta gente sobre Rio+20 que tenho até receio de mexer muito a cabeça e acabar embaralhando os pensamentos. Rapaz! Quanta coisa tem pra falar…
A pergunta na cabeça de todo mundo é “o que esperar da Rio+20?” (a reportagem do Planeta Sustentável já iniciou esse debate em fevereiro). Mas não vou eu aqui arriscar as minhas hipóteses. Prefiro fazer coisa melhor, que é ajudar você a formular suas próprias expectativas, a partir de algumas poucas noções gerais que permeiam o pano de fundo.
Política da preguiça
Se o processo todo dependesse apenas dos arranjos determinados pela própria ONU, a conferência caminharia para ser um picolé de chuchu. O evento em si terá apenas três dias (a título de comparação, as Cúpulas do Clima contam com duas semanas) e a última reunião preparatória será realizada com apenas cinco dias de antecedência. O embaixador designado para secretariar a conferência é Sha Zukang, diplomata chinês de origem militar, em fim de carreira, com nenhuma familiaridade com o tema. Parece que depois do fiasco de Copenhague, e com a crise econômica ainda provocando espasmos, ninguém do processo oficial está a fim de se comprometer com nada.Por outro lado…
A batata da ONU está assando. Todo mundo está se perguntando se o atual sistema de governança global serve para alguma coisa, com tantos problemas se acumulando e tão pouco progresso. O relatório Riscos Globais, do Fórum Econômico Mundial, critica o paradoxo deste começo de século: somos super interdependentes, em termos de comércio, finanças e meio ambiente e, no entanto, isolados politicamente, já que os governos se mostram incapazes de impetrar soluções globais. Se a pressão aumentar muito, é capaz que a diplomacia internacional seja impelida a mostrar serviço.2- Pragmatismo
É possível que estejamos chegando ao fim da era em que o grande motor do sistema internacional era “o acordo possível”. Já foram assinadas tantas convenções, protocolos e quetais e deu no que deu. A decisão da ONU de focar economia verde e governança revela justamente essa tendência ao pragmatismo. O primeiro tema é tratado como “fase transição” ao desenvolvimento sustentável, portanto um osso teoricamente menos duro de roer. O segundo envolve repensar o arranjo institucional para fazer com que os compromissos que já foram adotados comecem a surtir efeitos reais.Por outro lado…
Teme-se que essa “política do possível” sugue a força das grandes ambições, como repactuar o que significa desenvolvimento, decidir o que fazer com o nó do consumo e ainda – o sonho dos economistas ecológicos – desenvolver uma nova macroeconomia dissociada da ideia de crescimento perpétuo.Existe uma antipatia relevante com a ideia de economia verde. Tem quem sinta o cheiro de pretexto para barreiras comerciais, tem quem desconfie da mercantilização de causas socioambientais e quem acredite que tudo não passa de maquiagem.
Drops: Por fim, olho no Brasil. A proposta da Rio+20 partiu de Lula. E o país anfitrião, tão desejoso de liderança, tão cercado de holofotes por conta de uma agenda de grandes eventos internacionais, não deve perder a chance de aparecer. Assim, se tudo mais falhar, pelo menos a gente pode conseguir arrancar alguns bons compromissos do governo brasileiro para serem aplicados aqui mesmo, dentro de casa.
Foto: Laszlo Ilyes
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29/09/2011 às 14:29 thiago martins - diz:
Carolina, amei seu texto! Sou professor de Geografia e darei uma palestra sobre sustentabilidade para o Ensino Médio em vista da proximidade do Enem. Gostaria de conversar contigo para obter algumas informações. Por favor, entre em contato comigo por e-mail: thiagomartins2@hotmail.com. Abraços…
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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