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Contabilidade ambiental Carolina Derivi - 12/05/2010 às 11:32
Ontem fui assistir à palestra de Pavan Sukhdev, economista indiano e representante do PNUMA. Ao apresentar os resultados parciais do relatório TEEB A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, ele ressaltou um panorama sintomático: das 100 corporações com melhor desempenho ambiental, 9% indicaram a biodiversidade como tema estratégico para os negócios em seus relatórios de sustentabilidade.
Pior ainda é que apenas 2% fizeram a tradução desse componente em seus relatórios financeiros.
As relações entre mundo natural e mundo corporativo ainda são bem nebulosas. Mas a verdade é que os serviços ambientais oferecidos pela biodiversidade têm um preço. Um exemplo: a super exploração madeireira que levou ao esgotamento das florestas na China trouxe a reboque a desertificação. Isso impõe um custo gigantesco para recuperar a qualidade do solo, as fontes de água, sem falar nas emissões de carbono e na conta já meteórica das mudanças do clima.
Se tudo isso fosse considerado, disse Sukhdev, o preço real da madeira chinesa deveria ser 129% maior. As empresas tradicionalmente não incorporam essa conta por causa de uma palavrinha traiçoeira batizada pelos economistas de externalidade.
O termo designa todo efeito que uma operação empresarial tem sobre terceiros que não participaram dela e nem a autorizaram. Isso inclui vazamento de petróleo, contaminação do solo e lençóis freáticos, erosão, esgotamento de recursos como florestas e cardumes e todos os desdobramentos sobre as economias locais e o modo de vida das pessoas.
Quem suporta esses custos sistematicamente é a sociedade e, quando muito, seus governos. Se por acaso a empresa paga uma parte dessa conta, a tendência é que a despesa apareça no grupo das benesses, ou seja, nos floridos relatórios de sustentabilidade.
É por isso que o PNUMA defende que os dois relatórios anuais – o de sustentabilidade e o de desempenho financeiro sejam integrados, com metodologias e critérios claros e padronizados. É uma tentativa de corrigir a distorção que faz com que as empresas externalizem custos que na verdade estão diretamente ligados às suas operações.
O que me preocupa é que a maioria dos discursos que ouço ou leio sobre esse assunto defende que a solução está no próprio mercado. Que na busca de uma vantagem competitiva, as empresas mais espertas pensariam bem, se ninguém faz essa contabilidade, eu vou fazer e ficar bem aos olhos do público, evitar transtornos jurídicos e prejuízos de reputação.
Será que o mercado é mesmo capaz de se auto-regular para a biodiversidade? Pois se você adquire uma vantagem competitiva, não está realmente cumprindo o que deveria ser uma obrigação, mas estabelecendo um diferencial. Será que outras instituições mais démodé, tipo as leis, os governos e os tribunais, não têm um papel também importante para recuperar os US$ 4,5 trilhões perdidos anualmente em recursos ambientais pelo mundo?
Atualizado em 13/5 às 13:30
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12/05/2010 às 11:47 Anonymous - diz:
Maurício – diz:Maurício – diz:Putz, como devo ser burro. Apesar de economista, bacharel em direito, pós-graduando em Direito Ambiental…não entendi nada do texto acima, imagine um simples curioso do tema. Se quisermos adesões á questão ambiental temos que ser claros na comunicação. Esse texto ta muito mal feito para o assunto.
13/05/2010 às 15:51 Anonymous - diz:
Carolina Derivi – diz:Tem razão. Reformulei. Não é fácil, Maurício, traduzir os assuntos mais difíceis e ao mesmo tempo evitar os textos muito extensos. Esse é um dilema constante deste blog.
18/11/2010 às 10:54 Anonymous - diz:
Cassio Vellani – diz:Parabéns pelo post. Aproveito para indicar um artigo que compara a evidenciação ambiental das usinas de álcool do Brasil e EUA: http://cgg-amg.unb.br/index.php/contabil/article/view/60/62
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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